Novo sabor para o ano:
Tomando uma xícara agora pra me recuperar do sono que acabei de ter.
algumas coisas dessa vida
Eis então, uma imprevista boa companhia:
Fiz cartão na Biblioteca Pública semana passada com um objetivo em mente: Robison Crusoe. Decepção foi encontrar apenas uma versão mutilada da obra, editada pra petizada até 12 anos. Em termos culinários, devia ter o sabor de um pedaço de isopor.
Pensa vai, pensa vem, me lembrei desse clássico que já havia encarado aos 15 anos marromenos, então resolví fazer um revival de Moby Dick. Já de cara o encanto ao encontrar um livro com essa encadernação. Tava lá, vermelhão e desafiante na prateleira. Aberto pela primeira vez em sei-lá-quanto-tempo, soltou aquele aroma de uma viagem fantástica arquivada.
Desistí do resto da sexta-feira, comprei uma maçã no mercado público, sentei no banco da praça e esperei começar a ficar desconfortável para então largar o livro. Tava pela página 32 dele, completamente absorto e espantado como estava me identificando com o personagem e sendo cativado pela obra.
Herman Melville tem um senso de humor afinado demais. E uma poesia não-empolada embutida nas descrições.
Página 30, linha 35:
(…)quanto a mim, atormenta-me perene anseio por coisas distantes.
Eu já absorvido e totalmente identificado com a forma como Ismael descrevia sua paixão e atração pelo mar, levei um tapa por essa expressão. Tenho ela constante na vida, e pense comigo, “coisas distantes” não são terras além. É o trabalho mais desafiante, a garota impossível, o carro mais caro.
Estou ainda na página 47, e já tomo esse livro como uma obrigação certa nas recém adquiridas prateleiras. Rio em voz alta com o livro vez ou outra, vou reproduzir trecho aqui – ação que certamente vou repetir vez ou outra, seja cá ou no Twitter.
Ismael acabou de vencer o dilema na estalagem e resolveu encarar o quarto oferecido:
(…)pulei de minhas calças e botas, e, apagando a vela, caí na cama e encomendei-me à vigilância dos céus.
Se o colchão tinha recheio de sabugos ou de louça quebrada não o saberá nunca(…)
O exagero é a base da comédia.
Noite de feriado com a mana sobrando aqui em casa, resolví estender a visita fazendo um strogonoff pra gente. Ligada pro brimo, a receita:
- Molho inglês
- Extrato de tomate
- Shoyu
- Ketchup
- Creme de leite (FRESCO, não aquela merda em lata)
- Alcatra cortadinha
- Champignon
- Azeite extra-virgem
- Arroz
- Batata palha
Não vou botar as quantidades aqui porque esse não é um blog de culinária, é só pra eu me lembrar depois, porra.
Preparo: corta a carne e leva pra fritar um pouquinho. Só dá uma seladinha nela na frigideira e reserva. Depois pega o champignon cortado em fatias e frita um pouco, pra ele perder aquela água nojenta. Dá meio que uma escorridinha e então joga o extrato de tomate em cima. Esquenta, então vai um pouco de ketchup e molho inglês. Esquenta, então joga o creme de leite. Bum, fica lindo. Estando marromenos, joga a alcatra que estava reservada. Experimenta o molho com um pedaço de carne. Tá salgado, joga um pouquinho de açúcar. Tá doce, joga shoyu até compensar. O molho ficou aguado? Pega um pouco de maizena e mistura num cadinho de água à parte. Bem misturado, joga no molho que com o calor vai engrossar.
No arroz usa um daqueles caldos de cebola e alho, fica ducacê.
…
Ficou bom pacaralho. Vinho recomendado pra acompanhar é um Tempranillo.
Lindo:

Tido como principal rival de Pablo Picasso, o artista defendia o decorativo como item fundamental para a obra de arte. Mesmo passando por 2 guerras mundiais, jamais deixou que elas influenciassem sua expressão. Revelando principalmente seu modo de produção, explorando a cor, a linha, o arabesco e o espaço, a exposição mostra sua relação afetiva com os objetos. Segundo a curadora Émilie Ovaere, Matisse gostava de estar rodeado de flores e mulheres. Sua obsessão pelo corpo feminino envolto de tecidos e adereços é uma marca de sua obra, justificada pela infância em uma pequena cidade têxtil.
Tenho esse fraco pelo pôr-do-sol. Me faz querer largar tudo pra sentar num gramado ou um lugar calmo, pra ficar olhando… Sempre tem aquele vento que acompanha suave.
E esses de inverno são os melhores, com o céu inspirado em cor-de-rosa.
Domingo acordei, olhei pro céu e vazei pra praia. Legal, finalmente estou começando a fazer essas coisas que sempre desejei (impulsividade). Dia inteiro lá praticamente +Fabinho +Rion +Diana Couto (!!?).
Não sei se quero entender o porque, mas sempre me volto compelido ao mar.
