Arquivos para 'Crônicas da coluna'Categoria

Sobre remuneração

3 Julho, 2009

Essa vai para todo esse povo judiado que, assim como eu, trabalha com prestação de serviço. Tenho certeza que não é inédita para alguns, mas hoje deu vontade de transpirar um pouco de filosofia aqui… Do advogado ao cara que sabe desentupir um ralo direito, essa é pra lembrar toda vez que o valor do trabalho é questionado: diz o conto que um dia Pablo Picasso estava fazendo desenhos no parque, quando uma mulher corpulenta se aproximou dele. “É você – Picasso, o grande artista! Oh, você têm que desenhar meu retrato! Eu insisto!” Então Picasso concordou em fazer o desenho. Após estudar ela por um momento, deu uma única pincelada na tela, e criou o retrato. Feito isso, mostrou à mulher . “Está perfeito!” ela exclamou, “Você foi capaz de capturar minha essência com uma única pincelada, em um único momento. Obrigada! Quanto devo ao senhor?” “Cinco mil dólares,” respondeu o artista. “M-m-mas como?” gaguejou a mulher, “Como você pode me pedir tanto dinheiro por esta pintura? Ela lhe tomou apenas um segundo para desenhá-la!” Picasso então respondeu, “Madame, conseguir fazer essa pintura me custou a vida inteira até agora.”


A propósito, Ricardo Daniel Treis é publicitário, e muito admirou a tabela do veterinário que cobrava mais caro a “olhadinha” que a consulta

Sobre sobrevivência

19 Junho, 2009

You know, às vezes gosto de me entregar a uns exercícios de imaginação do improvável. Saramago fez um de primeira um tempo atrás, naquele livro (que virou filme) sobre um mundo onde, de repente, todo mundo fica cego (é de Ensaio Sobre a Cegueira que eu tô falando). Nesse universo aí, até preparar um miojo vira aventura para fulanos como nós. Mas pois bem, Saramagos fora, abrindo minha despensa ontem dei um suspiro de desânimo, pensando em voz alta “cara, se o mundo acabasse hoje cê tava ferrado”. Claro que “o mundo acabar” é aquela situação onde você sobrevive e tem que ficar trancado em casa esperando os zumbís lá fora morrerem sozinhos (o que na concepção de Hollywood não acontece tão rápido). Para fins de sobrevivência, teria aqui no meu armário dois pacotes de sopa instantânea, quatro (?) de suco de laranja, um pacote de bolacha, uma lata de atum e 2/3 do ovo de Páscoa que ganhei da dôna Sandra. A geladeira, outra lástima. Com o que tem nela, eu sobreviveria ao primeiro mês se comesse uma azeitona por dia. Eu sei, era pra ter vergonha já que tenho mais ração de gato do que comida estocada aqui em casa, mas que saber? Nem tanto. Porque sei que, no (meu) fim do mundo, enquanto vocês casais ainda estiverem em casa comendo o pão velho que tava guardado no freezer, haverá lá fora uma legião de solteiros que moravam sozinhos conquistando o mundo. E dando tiros em zumbís.


Encher a despensa que nada, Ricardo Daniel Treis vai é comprar um rilfe

Texto publicado na coluna de hoje d´OCP.

Aaah, das coisas que me dão prazer

22 Maio, 2009

A liberdade de zoar na coluna.

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Mil oitocentos e vinte e cinco dias

22 Maio, 2009

Não sei se viram, mas saiu ontem matériazinha na página 12 d’O CP falando dos cinco anos de aniversário de publicação da coluna, marco que completamos agora dia 20 deste mês. Esta então é a coluna de 5 anos e 2 dias da Por Acaso, que trouxe consigo aquele clássico caso de quando exige-se a criatividade numa redação: branco total. Como não faço a mínima do que escrever aqui hoje além de agradecer à minha mãe, à tia Marina e a todos os quinze leitores restantes pela audiência, vou botar abaixo o rascunho de pauta que passei pro Max como sugestão pro mês de celebração. Seguem abaixo os ítens publicáveis de “O que vamos fazer pra comemorar os cinco anos da coluna?”:
- Montar uma página especial comemorativa (abortado);
- Passar os 31 dias de maio completamente de porre (abortado);
- Promover a primeira corrida de lhamas de Jaraguá do Sul (abortado);
- Começar a trabalhar de verdade (abortado);
- Comprar um pônei (abortado);
- Fugir para as montanhas (abortado);
- Comprar dois pôneis (abortado);
- Caotizar a cidade divulgando aquelas 72 horas de filmagem feitas na Epitácio (abortado);
- Imolação em praça pública (abortado);
- Anunciar candidaturas para o congresso (abortado);
- Promover o primeiro Miss Camiseta Molhada de Jaraguá do Sul (em estudo).

A pauta original tinha 72 ítens, achei melhor incinerar ela.

Os Três no Triathlon

21 Abril, 2009

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“Que tal participarmos do triathlon da Impulso?” Essa foi a pergunta levantada em tom de brincadeira por Max Pires à seu colega de trabalho, o publicitário Ricardo Daniel Treis. Max e Ricardo escrevem a coluna quinta-feirina “Por Acaso”, no Jornal Correio do Povo. A resposta veio certeira: “Tá maluco?”. A loucura pegou, e com a intenção de criar uma matéria cômica para o sabor dos leitores jaraguaenses, a dupla convidou o também publicitário e editor da revista The Fato, Marcelo Wagner, que topou a idéia sem hesitar.

O teor da reportagem seria colher os resultados da participação de três sedentários à um evento esportivo como um triathlon. Mas o que aconteceu foi que ao fim das contas Marcelo e Max empolgaram-se com a idéia, e preparavam-se de forma tal que a impressão é de que participariam de um IronMan. Chegava a data do evento e os dois apresentavam um bom condicionamento, enquanto Ricardo só de pensar no assunto já ficava cansado. Chegado o dia do evento, o nervosismo era visível nos três, que começaram a analisar os demais participantes do evento, que beiravam o nível “pró”. A auto-análise da equipe, graduou-os a nível “havaiana-de-tira-arrebentada”.

Começa o evento com prova de natação, onde Marcelo, o escolhido para tal por seu “shape” e experiência, obtém o excelente resultado de 3º lugar nos 600 metros. Professores surpresos à parte, Max Pires assume seu papel altamente motivado, e sai para percorrer os 10km de bicicleta com o pensamento fixo na vitória. “Admito que pensei em desistir, mas era mico”, contou Max, exausto após chegar em 7º lugar na sua bateria.

Então chegou o momento da verdade para Ricardo, que ao receber bandeira verde para iniciar os 3.400m de corrida ainda pensou duas vezes. “Não force! Se não for conseguir, pode parar”, aconselhavam os professores da academia, preocupados com um possível enfarte por parte do participante. “Se queres perder o medo de algo, vai lá e faça-o!”. Com pensamento fixo nessa frase, Ricardo largou. Andando, mas largou. Correu um pouquinho, andou mais um montinho e assim foi… dos 3.400m do percurso, aproximadamente uns 200m devem ter sido corridos. “Doía a perna. Até conseguia correr, mas a dor impossibilitava”. Já não estivesse ruim a situação, o corredor ainda foi atacado quando completava sua primeira volta. Um seguidor amalucado do padre irlandês Cornelius Horan (aquele que agarrou na maratona das Olimpíadas de Atenas o brasileiro Vanderlei de Lima), agarrou o competidor, e terminou por comprometer totalmente o resultado final. “Precisava passar minha mensagem”, disse o lunático, que à frente carregava um cartaz escrito “O fim está próximo”, e às costas “Vendo Corcel 78″.

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Ao perceber a distância considerável que o penúltimo candidato abria, Ricardo reuniu todas suas forças e numa impressionante explosão de energia correu. Correu até o ponto de táxi mais próximo, embarcou e disse “Meu bom homem, toca pra Impulso!”. “Mas você não está correndo?”, disse o taxista surpreso, “Estou! Mas agora a corrida é sua. E passa buzinando por aquele cara correndo alí”. E com Ricardo cruzando a linha de chegada de táxi foi que a prova teve seu desfecho. Para o trio, o que restou foi, além do último lugar geral e desclassificação, um monte de história para contar. Ano que vem darão um “repeteco”. Ricardo promete esforçar-se mais. Quem sabe ele já faça a largada de táxi e nos poupe de tanto suspense.


Texto meu e participação minha pra edição #09 da Revista The Fato, em 2004. O evento foi dia 17 de outubro.

Problema-comum

17 Abril, 2009

Quando falaram que “até Fulano vai pro evento” fiquei meio assim. Era argumento pra convencer ida à balada tal, que de tão boa, ia tirar um certo casal de amigos de casa. Eu não fui, e no bate-papo dias depois aproveitei pra confirmar com a pessoa em questão a dubitável ida.
- Eae, foram mesmo pro show?
- Não fui cara. Ela começou a passar mal e acabamos desistindo… Pffff! Tô com os ingressos aqui ainda.
- Arre, deixaram de ir em outra. Sabe o que é isso? Doença!
- Hm.
- Alergia à Balada. Todo casal desenvolve depois de tempo de namoro.
- Hah, falando em doença, tô contraindo outra. Tô é ficando com Alergia à Namorada.
- Wahahaha!

A Alergia à Baladas é um problema comum à maioria dos pares, cujo tratamento é desconhecido pela ciência. Se mesmo após detectada o casal resolva ir à festas, acaba resultando em comportamento agressivo dos indivíduos (leia-se briguinha e/ou discussão por nada). Entre os efeitos colaterais da doença, além da Alergia à Namorada(o) estão o tédio no relacionamento, o lugar-comum das noites de sábado defronte a TV e a estafante superexposição à mesma companhia (leia-se desgaste).

Talvez baladas não sejam realmente o ambiente ideal para casais de namorados entreterem-se, mas o Instituto Ricardo Daniel Treis de Behaviorismo Obtuso altamente recomenda que casais convivam (e permitam-se conviver) regularmente com outras formas de vida da mesma espécie e faixa etária, considerando esta a forma mais saudável de conseguir-se um relacionamento duradouro – aquela coisa linda e rara que nossos pais praticam.


Publicado originalmente na Coluna Por Acaso, página 12, jornal O Correio do Povo de 22 de novembro de 2007.

Emendo já com a colocação que o Depiné me passou via mensagem:

Alergia à Namorada foi ótimo, hein? O lado bom é que durante o tratamento dessa doença pode-se ingerir álcool!

Comportamento de pato

7 Abril, 2009

Tem lá no YouTube (e logo abaixo) um vídeo publicado mostrando o comportamento de um bando de patos quanto a ração nova que botaram para eles num parque. Não me pergunte como cheguei a ver esse negócio, é a familiaridade com a cena que merece ser comentada: nenhum dos bichos queria saber daquela coisa nova que botaram lá. Ficaram longe mesmo, com nojinho ou medo, sei lá. Então vieram três patos, que se demoraram alí rodeando. Dos três, um foi pra frente e beliscou a comida. Precisou beliscar duas vezes, então o segundo pato também experimentou, sendo seguido pelo terceiro. Quatro segundos depois tem tanto pato na tela que chega a assustar. Reconhece essa situação? Bom, tem mais de uma interpretação pra ela, mas me lembrou muito daquela coisa-nova-mal-falada-que-celebridade-usa-e-vira-moda, sabe qual é? Patos somos nozes, rapaz, que compramos roupa indiana calçando crocs. Mas não pense que sou contra o novo, muito pelo contrário. A questão é que, às vezes, tem gente demais por aí comendo ração ruim só por causa dos outros.


Ricardo Daniel Treis é um neófilo, mas não usa crocs

Go ducks, go:

Neophobia experiment, control

Texto publicado originalmente na coluna Por Acaso, jornal O Correio do Povo de 20 de março de 2009, página 16.

A geração frutinha

7 Abril, 2009

Dei de cara com uma entrevista de Mr. Clint Eastwood no site da revista Esquire. Ponto-de-vista duro, traduzí uma das respostas pra compartilhar aqui:

“Vivemos hoje a geração frutinha (pussy generation), onde todos agora ficam dizendo “Bom, como lidamos com isso psicologicamente?” Noutros tempos você simplesmente respondia enfiando a mão na cara dos brigões e saía fora. Mesmo que o cara fosse mais velho e ainda pudesse te empurrar de novo, você seria respeitado por ter revidado, e seria deixado em paz dalí pra frente (…) Eu não sei exatamente quando teve início a geração frutinha. Talvez quando as pessoas começaram a perguntar a respeito do sentido da vida.”

Clint foi seco nessa e noutras respostas, porém um cara que nasceu no início dos anos 30 e vê a forma como TODOS os problemas vêm sendo lidados hoje, não teria outra coisa pra dizer senão “vocês estão complicando tudo”. Relacionamentos caóticos, crises pessoais, problemas no trabalho, problemas em família e etc, Clint está certo: não prolongue a agonia, simplesmente dê logo um soco no brigão e fique em paz.


Ricardo Daniel Treis vai ser mais ser bronco de hoje em diante, pede pra não tomarem literalmente essa idéia de dar socos e recomenda acessar este link para ler a entrevista completa do homem

Texto publicado no OCP dia 13 de março.

O problema são os outros

19 Setembro, 2008

Não posso dizer que estou absolutamente satisfeito com a cena atual de eventos. Sertanejeiragem e pagodices nunca fizeram parte das favoritos por aqui, mas parece que a grande maioria aprecia os estilos (vide bilheterias sempre faturando), e, dos males o menor, pelo menos temos as opções. Nessa questã de pensar se o problema é meu comportamento e gosto ou se simplesmente é a realidade que está errada, esbarrei num de Soares Silva. É genérico, divertido e sei que praticamente todos vão se identificar, então tomaí um fragmento:

“Muitos de nós escolhemos cedo na vida um shtick, uma persona, um conjunto de idéias e atitudes, por oposição ao que achamos que a maioria das pessoas têm, principalmente para sentir orgulho de ser o completo oposto de todo mundo. Comigo essa idéia sempre foi a de que Todos os Outros São Bárbaros, Só Eu Sou Civilizado. Essa idéia me faz levantar da cama com algum vestígio de energia. Mesmo quando encontro pessoas que parecem civilizadas, encontro um jeito de me convencer de que elas são civilizadas de um jeito errado. Gostam das coisas certas pelo motivo errado, ou do subgrupo das coisas erradas dentro das coisas certas. Ou elas próprias são, simplesmente, erradas.”


Ricardo Daniel Treis recomenda: soaressilva.apostos.com.

Mau humor series

14 Setembro, 2008

Pais que largam os filhos soltos pelo restaurante para terem sua refeição em paz às custas da perturbação do coletivo fazem por merecer as pestes que criam. O que falta é multa pra certas categorias de distúrbio da paz. Ou surra.

Sinais de que você está ficando velho

2 Julho, 2008

01. Seis da manhã é a hora em que você acorda, não quando está indo dormir.
02. Acha que fazer sexo numa cama de solteiro é uma situação absurda.
03. Você passa a ter mais comida que cerveja na geladeira.
04. Sua fantasia de ter sexo com três mulhers com tendências lésbicas é substituída pela fantasia de fazer sexo com qualquer mulher.
05. Você realmente conhece todas pessoas que estão dormindo na sua casa.
07. Você compra um guarda-chuva.
08. Você não fica mais bêbado em casa antes de sair só pra economizar dinheiro na balada.
09. Quebrar a lei significa andar a 50 numa área de 40km/h.
10. Você achar um “marinheiro” no vaso não é mais nada tão histericamente engraçado.
11.Não existem mais ratos morando na sua cozinha.
12. Mais de 90% do tempo que você passa na frente do computador é para trabalho de verdade.
13. Você passa a tomar café na hora do café.
14. Seus amigos passam a se casar e divorciar ao invés de “ficarem” e terminarem.
15. Você vai para a farmácia atrás de aspirinas e antiácidos, não camisinhas ou testes de gravidez.
16. Uma garrafa de vinho de R$ 5,00 já não é mais “coisa das boas, hein?”
17. Você é o cara chamando a polícia porque “aquelas crianças *%#@& no vizinho não abaixam a música”.
18. Você sai da cama de manhã mesmo se estiver chovendo.
19. Seus parentes já não tem mais inibições em contar piadinhas de sexo perto de você.
20. Você sempre conhece quem está acordando com você.
21. O valor do seguro cai, mas as parcelas do carro sobem.
22. Você alimenta seu cachorro com ração ao invés de salsichas.
23. Você não tira mais aquelas sonecas das 14h às 18h.
24. Você sempre sabe onde está quando acorda.
25. Quando uma amiga sua aparece grávida você dá os parabéns ao invés de dizer “Oh meu Deus! O que aconteceu?”
26. Pegar um cineminha passa a ser o programa inteiro, ao invés do começo de um.
27. Dormir no sofá faz suas costas doerem.
28. Camiseta e jeans já não mais te qualificam como “pronto pra sair”.
29. Suas férias caem de 90 para 14 dias.
30. Você começa a fazer listas lembrando das coisas boas que fazia.

Texto traduzido e adaptado de artigo publicado em setembro de 2007 no site divinecaroline.com.

Trabalhando pra enlouquecer

26 Junho, 2008

Ladies and gents, a quem possa vir interessar, vai aí um pouco da tristeza d´alguns dias da vida desse rapaz que vos escreve.

JOGO DA VIDA (de publicitário)

Tabuleiro, quadro 1:
- Início de mês! Você pagou todas as contas e está duro. Jogue os Dados do Desespero. Dados do Desespero somaram oito, tire uma carta. Você pegou “Trabalho Aceitando Permuta”. Tarefa: campanha completa para ser entregue em dois dias valendo um mês de rodízio de pizza. Perca a noite de sábado e aguarde uma rodada. Ganhe três quilos por sedentarismo.

Tabuleiro, quadro 11:
- Penalidade: gire a Roda do Desfortúnio do Andamento do Job. Você tirou “Cliente mandou parar produção na gráfica! Quer logomarca maior e todo material em verde-lima”. Jogue tudo para cima e espere uma rodada ou engula em seco e ande duas casas.

Tabuleiro, quadro 28:
- Você chegou na Encruzilhada da Parceria, tire uma carta. “O empresário Y lhe ofereceu um trabalho sem remuneração, mas disse que você vai ganhar ‘exposição no mercado’”. Ande três casas para trás.

Tabuleiro, quadro 4:
- Bônus da Cafeína! Você fez três layouts no tempo de um! Ande três casas e durma durante a manhã para recuperar os danos ao seu sistema nervoso central.

Tabuleiro, quadro 76:
- Área do Descanso! Você saiu de três reuniões seguidas e pode tirar uma carta da pilha Tempinho para Voltar a ser Gente. Oh não, você tirou “Cafezinho na Padaria”, que tem pontos negativos por exposição pública! Jogue os Dados da Ofensa Gratuita e veja seu comentário. “Tomando cafezinho hein? Vida boa essa de publicitário”. Muito azar! Você foi preso por agressão a pedestre… Aguarde duas rodadas e desenhe três layouts para serviço público.


Ricardo Daniel Treis também teria quadrinhos de boa sorte para botar nesse tabuleiro, mas sabe que a miséria alheia dá muito mais audiência.

ALGUMAS DA INFÂNCIA

29 Maio, 2008

Da série “Sensações que Você Provavelmente Nunca Mais Vai Ter”, eis.

DAS BOAS
– Aquela coceira estranha que o dente-de-leite mole causava.
– Aquele prazer bizarro que dava ficar cutucando o dente-de-leite mole pra cima e pra baixo.
– Aquele grande prazer bizarro que dava ficar botando a língua no buraco do dente-de-leite que caiu.

DAS RUINS
– Medo do primeiro dia de aula.
– Medo do primeiro dia de aula de educação física (esta é válida apenas para colunistas que não tinham ou ainda não tem coordenação motora).
– Medo do segundo dia de aula de edução física (esta é válida apenas para colunistas que não tinham ou ainda não tem coordenação motora e que tomaram pau na aula anterior).

AVULSAS
– O enorme prazer em desafiar todas a regras assistindo escondido um filme de terror/pornochanchada no Supercine/Made in Brazil.
– O tédio absoluto e imenso em presenciar, e a total confusão em tentar entender como é que diabos os seus pais conseguiam passar metade de uma tarde sentados numa mesa apenas conversando.
– A densa agonia da interminável Missa de Natal, que adiava em 60 minutos a entrega dos presentes.
– A nunca saciada/obtida sensação de “vai ser muito mais legal quando eu for um cara com a idade do Fulano”. Na terceira série os caras da quinta eram o máximo. Na quinta, os caras da oitava eram o máximo. Então um dia você chegou no terceirão, e simplesmente sentiu um inexplicado vazio existencial.


Ricardo Daniel Treis já se vê daqui trinta anos sentado num bar universitário começando frases com a expressão “quando eu tinha sua idade”

Um pouco de know-how

22 Maio, 2008

Pra um feriadão relax, vão aí algumas palavras de Stephan Sagmeister, que circulam pela web com o título “Coisas que Aprendí na Vida”. Coisinha leve, são uns tópicos bem bacanas pra assimilar… Propaga ele:

1. Ajudar outras pessoas me ajuda.
2. Ser impulsivo sempre funciona para mim.
3. Pensar que a vida será melhor no futuro é estúpido. Viva o agora.
4. Organizar um grupo de caridade é surpreendentemente fácil.
5. Não ser confiável nunca funcionou para mim.
6. Tudo o que eu faço sempre volta pra mim.
7. Presunção asfixia.
8. Drogas são ótimas no início e terríveis no final.
9. Com o tempo, você se habitua com tudo e deixa de se surpreender.
10. Dinheiro não me faz feliz.
11. Meus sonhos não tem significado.
12. Manter um diário ajuda meu desenvolvimento pessoal.
13. Tentar parecer bem limita minha vida.
14. Luxo material é melhor aproveitados em pequenas doses.
15. Preocupação não resolve nada.
16. Culpa é bobagem. Aja ou esqueça.
17. Todo mundo acha que está certo.
18. Se eu quero explorar novas coisas profissionalmente, é melhor
experimentar antes por mim mesmo.
19. Manter as expectativas baixas é uma boa estratégia.
20. Todas as pessoas honestas são interessantes.

O texto é legal, mas quem diabos é Stephan Sagmeister? Bom, certas coisas não precisam ser endossadas para só depois serem consideradas boas, então não complique. Lê a lista de novo, recorta pra guardar e vai aproveitar o dia.


Ricardo Daniel Treis ainda não teve oportunidades suficientes pra dizer se o tópico de número 10 realmente procede ou não.

Enquetes Por Acaso da Vida em Jaraguá do Sul

15 Maio, 2008

VOLUME I – Les Misérables

Questão 1 – São 17h48, você está indo pra casa, e o catador de papelão está em plena Reinoldo interrompendo o trânsito enquanto carrega nas costas 50% da capacidade da Companhia Brasileira de Celulose. Você:
a) Buzina histericamente até aquele mal-educado sair do caminho.
b) Deliberadamente se enfia na pista do lado, supondo que o cara de trás sabe que você não quer parar e que tem um obstáculo à sua frente.
c) Desvia do catador tirando fininho, que é pra ele ficar muito assustado e nunca mais fazer isso.
d) Cutuca o carrinho pra mostrar quem é o dono da rua.
e) Liga pra polícia dizendo que estão atrapalhando seu direito de ir e vir.
f) Se pergunta por que ninguém ainda fez nada pra regularizar a situação destas pessoas, então decide estacionar na locadora pra pegar um filme.
g) NDA

Questão 2 – É feriado e está chovendo. Você sai pra comprar um pote de sorvete de 2 litros e quando pára no sinaleiro tem um doido fazendo malabarismo ou chutando uma bola em frente ao seu carro. Você:
a) Começa a se abaixar devagarinho pra ele achar que não tem ninguém dentro do veículo.
b) Entra em pânico, joga o sorvete no cara e desce a Reinoldo de marcha-ré.
c) Olha pras moedas no painel mas não dá elas, então meia-hora depois quando está em casa fica se remoendo de remorso e pena.
d) Dá um pila pro cara, e na ceia de Natal fala pros parentes que apóia causas como as “artes de rua alternativas”.
e) Murmura “vai arranjar trabalho, vagabundo” sem pensar no fato de que, talvez, VOCÊ nunca daria emprego pra ele.
f) Murmura “vai arranjar trabalho, vagabundo” sem pensar no fato de que está chovendo, é feriado, e o cara está alí.
g) NDA


Estes questionários e suas respostas foram formuladas pelo Instituto Ricardo Daniel Treis de Behaviorismo Obtuso, e não possuem o endosso de qualquer autoridade competente.

Deixa o homem trabalhar

8 Maio, 2008

Hoje eu queria vir aqui e escrever horrores. Publicar opinião crítica, nêlvosa e malcriada (porém com jeitinho) sobre qualquer coisa que, em sua essência, não merecesse mais que dois minutos de atenção e um bocejo, mas que me fizesse passar os próximos sete dias sendo incomodado por causa dela – o que incluiria uma surra por quinze desconhecidos no calçadão. Porém peço desculpas a todos os oito leitores dessa coluna (que bimestre passado eram seis), mas esse momento de autodestruição voluntária vai ter que ficar para, sei lá, mês que vem, porque com o meu pé, gelado do jeito que está, quero mais é voltar pra cama e terminar a página 17 daquele palavras-cruzadas nível médio.

Mas para não deixar este espaço restrito a apenas um parágrafo de desabafo quanto autodestruição e vadiagem, achei que seria bacâna (leia anasalado, please) compartilhar a perspectiva do marketeiro Duda Mendonça quanto ao novo osso da mídia, o tão importante caso do escorregão do Ronaldinho:

“(…)Veja, o Ronaldo não atirou a sua filha do sexto andar, não assaltou um banco, nem atropelou uma velhinha bêbado. O mal que ele fez foi apenas a si próprio e à sua imagem.
Por outro lado, será que é difícil lembrar que esse cara também já nos deu tantas alegrias com suas arrancadas fantásticas e seus gols de placa? Quanto orgulho já sentimos dos seus títulos e de suas vitórias mundo afora, ajudando a levantar o nome do nosso País.”

Mimimi, eu sei, mas é importante pensar na tal “síndrome de ingratidão da massa”. O que eu acho? Olha, pra um cara que já ganhou reportagem especial no Fantástico só pelo corte de cabelo medonho que tinha, ele até deveria estar satisfeito que agora a notícia tem um certo, er, volume. Porém em contrapartida, os principais veículos de comunicação desse país deveriam era ter fechado a boca de bueiro. Primeiro porque a gente não ia perder tempo com tanta bobagem irrelevante; segundo, porque é ingratidão mesmo; e terceiro, porque é uma burrada ficar jogando caca em cima de um dos últimos grandes atributos positivos desse país, que pelamor, é o futebol.


Ricardo Daniel Treis realmente não se importa com balonistas, assassinos de ocasião e com gente que sai do armário da pior maneira possível.