Dos bravios

9 Setembro, 2009

Meu vô, um cara phoda:

seo_zeno

Quase disse pra ele na tarde de segunda: “Obrigado pelo meu senso de humor”. Veio dalí, isso é certo – o jeito de encarar certas merdas com indiferença também.

Me confessou com tristeza no olho a perda de lucidez da vó. Não consegue nem comentar da novela com ela, visto a memória volátil de D. Tereza. Deu a impressão de que mesmo com a companhia se sente solitário.

Achava as visitas em família um saco, descobrí que é porque os adultos não se permitiam outras conversas. Falavam de coisas da rotina, da merda da programação de merda da TV ou puxavam aquele grudento papo condescendente cheio de “a-hãs”. Um comportamento comodista pra preencher o tempo a permanecerem alí.

Descobrí que se você tirar os velhos do trilho de conversa preguiçosa eles te levam além. Há um certo feelling a ser procurado em cada papo iniciado, que com a pergunta certa transforma a visita numa imersão em perspectivas. Uma pessoa com 80 anos de idade tem horrores para contar, e a jogada é perguntar pra ela qualquer questão que também se faria a um adolescente.”Vô, me conta desse seu talento aqui” ou “Vô, como você e a vó se conheceram”, ou ainda, “Vô, conta aquela história de quando você deu um soco na cara do Padre Mathias.”

Deixe uma resposta