Da série “Sensações que Você Provavelmente Nunca Mais Vai Ter”, eis.
DAS BOAS
– Aquela coceira estranha que o dente-de-leite mole causava.
– Aquele prazer bizarro que dava ficar cutucando o dente-de-leite mole pra cima e pra baixo.
– Aquele grande prazer bizarro que dava ficar botando a língua no buraco do dente-de-leite que caiu.
DAS RUINS
– Medo do primeiro dia de aula.
– Medo do primeiro dia de aula de educação física (esta é válida apenas para colunistas que não tinham ou ainda não tem coordenação motora).
– Medo do segundo dia de aula de edução física (esta é válida apenas para colunistas que não tinham ou ainda não tem coordenação motora e que tomaram pau na aula anterior).
AVULSAS
– O enorme prazer em desafiar todas a regras assistindo escondido um filme de terror/pornochanchada no Supercine/Made in Brazil.
– O tédio absoluto e imenso em presenciar, e a total confusão em tentar entender como é que diabos os seus pais conseguiam passar metade de uma tarde sentados numa mesa apenas conversando.
– A densa agonia da interminável Missa de Natal, que adiava em 60 minutos a entrega dos presentes.
– A nunca saciada/obtida sensação de “vai ser muito mais legal quando eu for um cara com a idade do Fulano”. Na terceira série os caras da quinta eram o máximo. Na quinta, os caras da oitava eram o máximo. Então um dia você chegou no terceirão, e simplesmente sentiu um inexplicado vazio existencial.
…
Ricardo Daniel Treis já se vê daqui trinta anos sentado num bar universitário começando frases com a expressão “quando eu tinha sua idade”
Não gosto do Mainardi. Acho ele muito forçadinho, assim assado, sabe? Do tipo “matarei sua vovó com prazer”. Ele bateu uma fotinha com cara de malvado pra pôr no corner amarelo dele. Pra intimidar, com certeza. Ninguém mandaria um email mau-educado pra alguém com uma cara daquelas… Aposto que é Photoshop. Se não é, aposto que ele tem um primeiro nome oculto, que ninguém conhece. Ele se chama Fausto D. Mainardi, conhecido pelos balcãs no começo do século como “O Cão Açoitado”. É sim, desde o começo do século. Mainardi tem um sobrenome bacana e também é imortal. Assim como também é um cão açoitado. Fica babando, fingindo que vai morder mas não morde, porque senão apanha. Au au pra você também.
Pra um feriadão relax, vão aí algumas palavras de Stephan Sagmeister, que circulam pela web com o título “Coisas que Aprendí na Vida”. Coisinha leve, são uns tópicos bem bacanas pra assimilar… Propaga ele:
1. Ajudar outras pessoas me ajuda.
2. Ser impulsivo sempre funciona para mim.
3. Pensar que a vida será melhor no futuro é estúpido. Viva o agora.
4. Organizar um grupo de caridade é surpreendentemente fácil.
5. Não ser confiável nunca funcionou para mim.
6. Tudo o que eu faço sempre volta pra mim.
7. Presunção asfixia.
8. Drogas são ótimas no início e terríveis no final.
9. Com o tempo, você se habitua com tudo e deixa de se surpreender.
10. Dinheiro não me faz feliz.
11. Meus sonhos não tem significado.
12. Manter um diário ajuda meu desenvolvimento pessoal.
13. Tentar parecer bem limita minha vida.
14. Luxo material é melhor aproveitados em pequenas doses.
15. Preocupação não resolve nada.
16. Culpa é bobagem. Aja ou esqueça.
17. Todo mundo acha que está certo.
18. Se eu quero explorar novas coisas profissionalmente, é melhor
experimentar antes por mim mesmo.
19. Manter as expectativas baixas é uma boa estratégia.
20. Todas as pessoas honestas são interessantes.
O texto é legal, mas quem diabos é Stephan Sagmeister? Bom, certas coisas não precisam ser endossadas para só depois serem consideradas boas, então não complique. Lê a lista de novo, recorta pra guardar e vai aproveitar o dia.
…
Ricardo Daniel Treis ainda não teve oportunidades suficientes pra dizer se o tópico de número 10 realmente procede ou não.
Demorou pra associar essa… Bateu quando chegou na décima linha.
Perdi vinte em vinte e nove amizades
Por conta de uma pedra em minhas mãos
Embriaguei morrendo vinte e nove vezes
Estou aprendendo a viver sem você
Já que você não me quer mais
passei vinte e nove meses num navio
E vinte e nove dias na prisão
E aos vinte e nove com o retorno de saturno
Decidi começar a viver
Quando você deixou de me amar
Aprendi a perdoar e a pedir perdão
E vinte e nove anjos nos saudaram
E tive vinte e nove amigos outra vez
E 21 de fevereiro de 2009 chegam os trinta. Quero ver qual vai ser a música.
Uma coisa meio lúdica, com músicas orquestradas, e temperada com The Clash, Ramones, Velvet Underground e outras surpresinhas. Começa com Hey Jude pela The Mutato Muzika Orchestra, bom demais.
Questão 1 – São 17h48, você está indo pra casa, e o catador de papelão está em plena Reinoldo interrompendo o trânsito enquanto carrega nas costas 50% da capacidade da Companhia Brasileira de Celulose. Você:
a) Buzina histericamente até aquele mal-educado sair do caminho.
b) Deliberadamente se enfia na pista do lado, supondo que o cara de trás sabe que você não quer parar e que tem um obstáculo à sua frente.
c) Desvia do catador tirando fininho, que é pra ele ficar muito assustado e nunca mais fazer isso.
d) Cutuca o carrinho pra mostrar quem é o dono da rua.
e) Liga pra polícia dizendo que estão atrapalhando seu direito de ir e vir.
f) Se pergunta por que ninguém ainda fez nada pra regularizar a situação destas pessoas, então decide estacionar na locadora pra pegar um filme.
g) NDA
Questão 2 – É feriado e está chovendo. Você sai pra comprar um pote de sorvete de 2 litros e quando pára no sinaleiro tem um doido fazendo malabarismo ou chutando uma bola em frente ao seu carro. Você:
a) Começa a se abaixar devagarinho pra ele achar que não tem ninguém dentro do veículo.
b) Entra em pânico, joga o sorvete no cara e desce a Reinoldo de marcha-ré.
c) Olha pras moedas no painel mas não dá elas, então meia-hora depois quando está em casa fica se remoendo de remorso e pena.
d) Dá um pila pro cara, e na ceia de Natal fala pros parentes que apóia causas como as “artes de rua alternativas”.
e) Murmura “vai arranjar trabalho, vagabundo” sem pensar no fato de que, talvez, VOCÊ nunca daria emprego pra ele.
f) Murmura “vai arranjar trabalho, vagabundo” sem pensar no fato de que está chovendo, é feriado, e o cara está alí.
g) NDA
…
Estes questionários e suas respostas foram formuladas pelo Instituto Ricardo Daniel Treis de Behaviorismo Obtuso, e não possuem o endosso de qualquer autoridade competente.
Aniversário da mãe hoje. Algumas coisas devem estar mudando, pois resolveram até sair de casa. Nada tão ousado, fomos numa pizzaria. Pai quem fez a reserva, trouxe a dôna Sandra, tio Lauro, tia Maria, Rodrigo, Carla e os pequenos. Aos finais, pensando na conta que deu R$140, até dá pra dizer que foi ousado.
Papo foi devagar na mesa, me empolguei quando quase engatou numa troca de idéias sobre a rala barba dos Treis, que em um ou outro manifesta-se. Mas como disse, quase engatou. Ainda preciso descobrir qual é o problema dessa família, onde não consegue-se começar um diálogo profundo sobre qualquer coisa que seja.
…
Coisa do sangue: a infeliz da garçonete anunciava a pizza doce gritando “sensação, sensação”. Tio Lauro olha pra ela, ela olha pra ele, ele diz:
– Eu sou a sensação.
…
Um dia você assistiu com o Piero e a loquinha da Samantha em casa, lembra? Alugado em K7 na Barão Vídeo Locadora. Até então, já deve ter assistido Akira umas 5 vezes.
Ou “cenas que daqui a 10 anos vou fazer referência numa conversa e ninguém vai entender”. Pra quem não faz a mínima idéia, imagine um francês tentando falar inglês sem sotaque:
Saí da academia pensando em cerveja e que queria curtir a noite num filme que valesse umas três long-necks. Agradeço ao destino pelo que tropecei na locadora:
Sob medida.
E ôrra, assistí sozinho, mas a sensação foi de companhia. E não poderia ter sido melhor:
R$49,90, tamanho 43, na cor marrom. A mulher da loja não parava de rir.
Por mais ridículo que pareça, comprei. Tanto um desejo infantil quanto necessidade… Imagina a reação do Estúpido com dois pufes marrons gigantes andando pela casa atrás dele.
Hoje eu queria vir aqui e escrever horrores. Publicar opinião crítica, nêlvosa e malcriada (porém com jeitinho) sobre qualquer coisa que, em sua essência, não merecesse mais que dois minutos de atenção e um bocejo, mas que me fizesse passar os próximos sete dias sendo incomodado por causa dela – o que incluiria uma surra por quinze desconhecidos no calçadão. Porém peço desculpas a todos os oito leitores dessa coluna (que bimestre passado eram seis), mas esse momento de autodestruição voluntária vai ter que ficar para, sei lá, mês que vem, porque com o meu pé, gelado do jeito que está, quero mais é voltar pra cama e terminar a página 17 daquele palavras-cruzadas nível médio.
Mas para não deixar este espaço restrito a apenas um parágrafo de desabafo quanto autodestruição e vadiagem, achei que seria bacâna (leia anasalado, please) compartilhar a perspectiva do marketeiro Duda Mendonça quanto ao novo osso da mídia, o tão importante caso do escorregão do Ronaldinho:
“(…)Veja, o Ronaldo não atirou a sua filha do sexto andar, não assaltou um banco, nem atropelou uma velhinha bêbado. O mal que ele fez foi apenas a si próprio e à sua imagem.
Por outro lado, será que é difícil lembrar que esse cara também já nos deu tantas alegrias com suas arrancadas fantásticas e seus gols de placa? Quanto orgulho já sentimos dos seus títulos e de suas vitórias mundo afora, ajudando a levantar o nome do nosso País.”
Mimimi, eu sei, mas é importante pensar na tal “síndrome de ingratidão da massa”. O que eu acho? Olha, pra um cara que já ganhou reportagem especial no Fantástico só pelo corte de cabelo medonho que tinha, ele até deveria estar satisfeito que agora a notícia tem um certo, er, volume. Porém em contrapartida, os principais veículos de comunicação desse país deveriam era ter fechado a boca de bueiro. Primeiro porque a gente não ia perder tempo com tanta bobagem irrelevante; segundo, porque é ingratidão mesmo; e terceiro, porque é uma burrada ficar jogando caca em cima de um dos últimos grandes atributos positivos desse país, que pelamor, é o futebol.
…
Ricardo Daniel Treis realmente não se importa com balonistas, assassinos de ocasião e com gente que sai do armário da pior maneira possível.
Fico imaginando a reação de pessoa X quando assiste no jornal uma matéria sobre a, sei lá, obesidade da população, que é ilustrada com cena dela caminhando na rua.
- Fângoooo.. se escondendo d alguém?!?! ( tá off aqui)
- Sim. Não quero gente interferindo minha redação e perguntando “td bem?” sem que tenha fim prático algum.
- Kkkkkkkkkkkkkkkkkk. CERTOOOO honey.
- Miss you. Próxima vez que te ver vou apertar tuas bochechas, se prepara.
- Então MORRA de inveja, o Gordin me viu ontem, me abraçou, apertou… rs
- Onde vc tava? Não, espera, inveja dele ou de você? Pq não gostaria do gordinho me apertando e beijando.
Deu vontade de ouvir Amy Winehouse, e tive a sorte de, no modo random, o mp3 player ter tocado em sequência as duas únicas músicas que suporto. Obrigado acaso.
Sanduíche de mortadela
01 Pão francês
02 espalhadas de margarina ou maionese
02 fatias de mortadela
- Abra o pão
- Use uma das espalhadas para uma das faces internas e a outra espalhada para a outra face. Para dar sorte, passe primeiro na da direita.
- Dobre as fatias de mortadela no meio
- Bote-as entre as fatias de pão alternando os miolinhos, sendo um para dentro e o outro para fora, a fim de evitar concentrações exageradas de carne em um único lado do sanduíche.
Acompanhe com suco de laranja ou café-com-leite, conforme desejo de intensidade da azia.
…
E não percam na próxima edição: pão com ovo. Frito.
Pesquisa Google: diferença, presunto, mortadela.
É um pouco nojento, mas não tem mistério. A diferença entre os vários preparados de carne de porco depende basicamente das partes do bicho que são usadas e da quantidade de gordura de cada um. O delicioso presunto é feito só com o pernil, uma parte nobre e pouco gordurosa do porco. O apresuntado tem mais gordura e até 2% de amido para dar volume. Daí ser mais barato. A mortadela é outro departamento. “Trata-se de uma maçaroca de carnes de boi e porco moídas misturadas com gordura, água e alho”, explica Tarcísio Moura, gerente de pesquisa e desenvolvimento da Perdigão, em Santa Catarina. O salame também é uma mistureba de carne de porco e toucinho. Só que mumificada. Isso mesmo. Depois de enfiado numa tripa, ele é guardado 35 dias numa estufa até perder quase toda a água. Desidratado, demora para estragar. Para finalizar o cardápio, há a copa, feita com fatias de um músculo do pescoço do porco. Também é mumificada, mas leva quase o dobro do tempo para ficar pronta. Daqui.
Porkys said: Cara, você como cozinheiro seria um ótimo mendigo!
00h22 da quarta-feira, mais uma daquelas noites odiáveis que tiro pra montar a coluna do jornal. Curto muito o trabalho da edição, mas esses horários forçados são uma melda. Tirei uma soneca das 19h até agora, o típico sono-ruim. Tava tão cansado que não dormí direito, só conseguí ter uns sonhos esquisitos.
Dia barra hoje, começou nervoso mas correu bem. Magnos jogou série nova na academia, o perfeito exercício de sadomasoquismo: me moí com alegria.
Cara, cê não pode parar de se dedicar a essa hora diária.
Eu comecei a complicar isso aqui já querendo fazer um texto mimimi de abertura, mas chega de enrolar. Vai só um lembrete pro futuro: Ricardo, isso aqui é pra você lembrar melhor das coisas da tua vida.
Pelo menos vai ter algo mais sólido dos 29 anos em diante…
Abraço cara, luv u.
Este site existe para um registro da rotina. Coisas que quero lembrar ou coisas que quero que alguém um dia, por qualquer seja o motivo, veja. Nunca deixo de pensar que também vá servir para um registro póstumo. Mórbido dizer isso, certamente, mas não tanto quanto realista. E pois, eis aí minha vida. Quero que saibam é que eu a viví. Um abraço a quem seja.
Este site existe para um registro da rotina de um cara: eu. Coisas que quero lembrar ou coisas que quero que alguém um dia, por qualquer seja o motivo, veja.
Qualquer um que vier ao acaso é bem-vindo, só saiba que esse conteúdo é despretencioso de grandes audiências, e que não escrevo para ninguém mais senão mim mesmo.
Um abraço, estranho.