É nesses momentos que meu velho se abre comigo. A circunstância triste mexe com o homem, e então temos, ainda que fragmentadas, aquelas conversas que sempre esperei ter com ele.
Me pede desculpas por coisas que fez e fala para mim de coisas que espera que eu faça. “Fiquei muito feliz quando você nasceu. Você é meu filho homem”, e logo depois “Você está pronto para ter um lar”. Me emocionei, ainda estou pensativo.
Vim do hospital agora, o vô já está internado há uma semana. Hoje passou o dia acordado, pela noite ainda pude conversar com ele.
Foi nessa noite onde olhei nos olhos de meu avô pela primeira vez após o derrame. No quarto do hospital, com ele ainda na maca onde fizeram os primeiros exames.
Ele me retornou, parecia aliviado em me ver, me apertou a mão e expressou reação. Foi aí que a sensação de impotência machucou mais.
Sempre fizemos o que podíamos para interferir positivamente na vida dele, e agora que ele me olhava parecendo pedir aquele apoio, não havia nada que eu pudesse fazer senão soltar palavras de consolo e apoio, e ficar alí, de pé, inerte.
Sugerindo uma remoída nas resoluções para 2011, o texto de André Dahmer:
—
Ao completar trinta anos, você ganhará os olhos duros dos sobreviventes. Só verá sua amada na parte da manhã e da noite, só encontrará seus pais de vinte em vinte dias. E quando seus velhos morrerem, você ganhará um dia de folga para soluçar e gritar que deveria ter ficado mais próximo deles. Sorria, você é um jovem monolito e a vida vai ser pedrada. O trabalho é uma grande cadeia e você sentirá muito alívio por ter uma. A cadeia engrandece o homem. E o sangue do dinheiro tem poder. Reze. Reze ajoelhado por uma carreira, dê a sua vida por ela. Viva como todo mundo vive, você não é melhor que ninguém. Porque o dinheiro move montanhas, o dinheiro é a igreja que lhe dará o céu. Sorria, você é um jovem monolito e o mundo é uma pedreira. Eles irão moer você todinho. De brinde, muitos domingos para chorar sua falta de tempo ou operar uma tendinite. Nas terríveis noites de domingo, beba. Beba para conseguir dormir e abraçar mais uma monstruosa segunda-feira. Aquela segunda-feira que deixa cacetes moles e xoxotas secas para sempre. A vida é uma grande seca, mas ninguém sente calor: Nas salas refrigeradas, seus colegas de trabalho fabricam informação e, frios, sonham com o dia dez do próximo mês. Você é o Babaca do Dia Dez, não há como mudar o seu próprio destino. Babaca que acorda assustado, porque ninguém deve atrasar mais de vinte e cinco minutos. Eles descontam em folha e você é refém da folha, do salário, do medo. Ninguém tem o direito de ser feliz, mas você ganhará a sua esmola de seis feriados por ano. E todos nós vamos enfrentar, juntos, um imenso engarrafamento até a praia. Para fingir que ainda estamos vivos. Para mostrar que ainda somos capazes de sentir prazer. Para tomar um porre de caipirinha sentado em uma cadeirinha de praia. É uma grande solução. E você ainda ganhará quinze dias de férias para consertar a persiana, pagar contas, fazer uma bateria de exames. Ninguém quer morrer do coração, ninguém quer viver de coração. Eu não duvido da sua capacidade de vencer: Lembre disso no primeiro divórcio, no primeiro infarto, no primeiro AVC.
Não tem idéia que incomode mais do que aquela que não conseguimos lembrar sobre o que
era. Podia ser algo estúpido como “preciso comer mais gelatina”, mas o cérebro convence do contrário
quanto à relevância, e como você não lembra o que era, passa o resto do dia irritado.
Tenho um bloco de anotações que anda comigo embaixo do braço, outro no porta-luvas do
carro, mais um na escrivaninha de casa e outro na mesa do escritório. Não bastando esses utensílios,
ainda tenho um smartphone com tópicos no aplicativo Notepad e outro doc digital na nuvem, onde
preferencialmente anoto as coisas dada a possibilidade de conexão à Internet com um teclado.
Obsessão? Não, é auto-preservação. Se o mundo já incomoda o suficiente, o dia que passar a
ficar irritado comigo mesmo podem me enfiar uma mordaça e amarrar numa árvore.
—
Loop – 2
Conhecí um estudo interessante esta semana, trata-se do Efeito Zeigarnik. É de cunho
psicológico, atestou que nossa cabeça tem mais atração por informações quanto tarefas inacabadas
do que as realizadas. É meio que um mecanismo de defesa. Como prefiro o lado menos romântico das
coisas, ilustro por exemplo como sendo ele o que te acorda naquela madrugada de chuva com uma
fixação irrestível por botar o lixo pra fora.
—
Loop – 3
Quanto às crueldades da vida, uma que sempre constatei é que estamos nessa de finalizar uma
tarefa para poder, com liberdade, se entregar ao começo de outra. É o jeito como se vive, mas não vai
parar nunca?
Agora conjuguem essa constante de novas tarefas com Zeigarnik, e me digam se o ser humano
não é um auto-sabotador por natureza.
Curioso e desgraçado como minha mente viaja em discussões imaginárias. Jesus, graças que aprendí a perceber. Elas não deixam de acontecer, mas ao menos aprendí a domar a intenção.
De papo com a Babí último sábado, em plena balada puxei inconscientemente a essência de um discurso do filme “Alfie”. Foi uma tristreza interpretada: “Quanto mais a gente fica sozinho mais aumentam as expectativas quanto a pessoa que está por vir, e quanto mais expectativas mais fica difícil encontrar essa pessoa por aí”.
Achei aqui no Ferrazza um reduto com privacidade e companhia suficientes para ficar confortável em me entregar à redação. Por hora ainda fico devaneando sobre mim mesmo e os textos da coluna, mas o sabor é único.
O cara vai instalar uma tomada aqui em cima para mim, já que a bateria do note me limita muito essa experiência.
Hoje pintou uma oportunidade inédita: galera do Firmorama twittou sobre a vinda de designer francesa que vem para intercâmbio, e precisa de apartamento para ficar. Pensei “Porra, genial”. Há tanto motivos para me arrepender quanto esta ser uma das experiências memoráveis dessa vida, resolví me sujeitar a ela de peito aberto. Eis o email enviado, intitulado “Jaraguá calling”:
Hey there, wanna talk to you before, but i’m kinda busy today…
I just loved the idea of these “flat share” and to be your host here in Jaraguá, but before i keep exposing you to my bad english, lemme tell you some aspects:
- Im a 32 year old boy who live alone (well, with a cat);
- My english level is what some tourists in Europe say as “wellwell”;
- Not a messy person, like my apartment organized and clean;
- Im a lover of the silence, as good music too;
- Live in a apartment whith two bedroons and two bathroons;
- Dont have a complete laundry (with wash machine or even an iron, just a sink). I wash all my clothes outside;
- The guest’s room is actually my TV room, but there i have a big and confortable couch, top line, wich expands to a king size;
- There’s no AC in the TV room, but our cold days are comming;
- Have Internet and cable TV.
Why be a host?
- I love other cultures;
- I love interesting people;
- I love art;
- Im a friend of Firmorama’s staff;
- I wanna see closer how is the experience of a complete foreign who come to a land like these. I write a weekly page to the town’s paper, also the most viewed blog in all region, and i think that your perspectives will be such a rich thing to i refresh my points of view;
- Im disposed, for curiosity, to give a break to mine 8 years of complete privacy lifestyle.
If OK, points:
- How you think gonna be your routine here?
- My apartment is about a 3km far from Firmorama’s QG, you think this can be a problem? Its kinda weird the street connections, there’s no bus in the route.
- How long you gonna stay, and when? In July i think i’ll be out of the country in a trip to London – thats why this experience will be good too, i need to practice ma english.
No more for now, and happening or not the share, consider yourself very welcome to Jaraguá. Count on me. =]
Im on Facebook, Orkut, Flick and Twitter, be my guest.
P.s.: Took more than an hour to write this email. Pfff.
Tenho um certo receio quanto incompatibilidade de hábitos, mas quem sabe numa dessa não viro mais gente? Fazem trinta minutos que mandei a mensagem, a agonia em ver a resposta é paupável no ar.
aiii só sei q estava na marcatto..qndo iamos tomar um café de aniversario de uma das meninas..ai ela falo..tem um gatinho q trabalha no 401 q estamos conversandoo..
A lucidez já havia ido, porém nas visitas, o carinho era tão intensoe transparente que nos fazia ignorar o problema. Foi um dia foda esse, de apoiar meu pai no enterro de sua mãe. A gente chorou com sinceridade. Fora o simbolismo de que tempos de despedida acabaram de chegar, era amor indo embora.
Vó Tereza foi-se embora levando a esperança de que haveriam novos dias na praia regados a culinária caseira e chamegos, comentários ingênuos e repreendimentos dóceis.
Rezo por você sempre que lembrar, vozinha, obrigado pelas boas lembranças.
O sumiço obriga o formato listinha, já que não dá pra compensar 5 meses de abandono em uma postagem de texto.
Nem me ocorrem muitos acontecimentos de outubro, novembro e dezembro de 2009, mas vamos ao que lembro:
- A vó mudou-se de Joinville, e ajudei ela com a jardinagem no apartamento.
- Ceia de Natal foi por minha conta. Fiz pato ao molho de mel com alecrim, acompanhado de salada de folhas e arroz com amêndoas tostadas. Sucesso.
- Poucos presentes para o pessoal este ano.
- Novamente não rolaram férias ou viagem. Alguns dias passados em BC, e a vista de que o Sky deixou de ser um lugar legal pra ir tomar umas caipiras de frente pro mar.
- Reveillon com Rion and fellas na Praia dos Amores, em esqueminha montado na areia com farofada. Ficou legal, Pêpa foi a cia da noite e o Pingua teve um petit, largando todo mundo lá. Voltar foi uma bosta, na carona pedida à Samantha Quadros.
- Ano começou com os trabalhos para a nova coluna. Concepção de editorias, textos e a campanha de apresentação. Mais stress com o Max referente remuneração justa e a acerto de que, como sempre, tudo já estava certo e que eu também erro.
- Não fui no show do Coldplay como gostaria de ter feito.
- Aniversário insosso. Levei a família pra almoçar no Parque Malwee. A Carla apresentou o novo cunhado. Ele não pagou a parte dele.
- Inteiramente dedicado ao Por Acaso, agora trabalho lá no escritório durante o dia. Por hora ainda são necessários os bicos pra pagar as contas. Comprei notebook e iPhone. Ironia, por conta de 20 dias de atraso o telefone chegou um dia depois do meu aniversário. Destino é meio irônico ao dar presentes.
- O note e o telefone com 3G aproximam o lifestyle do ideal. Apartamento está legal também. Queria mais grana sobrando e umas viagens na agenda.
- Praticamente três meses sem ir pra academia, me sinto um lixo. Tentando estabilizar a situação financeira para tal, agora em março não posso deixar de ir.
- Seca das piores. Nunca ví assim nessa época. Completa o quadro toda carência acumulada.
- Me sinto com falta de assuntos, embasamento, leitura e tempo. Até quando vou reclamar dessas merdas e não fazer nada a respeito?
- Meus sobrinhos estão precisando de atenção.
- Quando sonha, o que faz você pensar que não é real?
- É uma porra de sonho. Não podemos tocar nele, né?
- Você já segurou na mão do homem que lê o noticiário na televisão?
…
Da HQ Invisíveis, edição número 4, se não me engano.
- Hoje levei o Gustavo pra fazer inscrição no curso de guitarra. Fiquei surpreso com o rapazinho dizendo ser esse um desejo dele, estudar música. Quarta-feira é a aula experimental. Se gostar, vai entrar num esquema que sabe, por regra minha, não vai poder parar antes de completar seis meses de estudo.
- Carlos vai ser companhia no Sesc meio dia, vou levar pra correr comigo. Ele quer, só falta estender a mão.
A chuva me dá esse conforto particular e têm seu romantismo, porém uma tarde ensolarada e seu consequente pôr-do-sol rosado têm um valor muito superior. Saudade da cerveja na sacada regada a um vento quente, porém o tempo têm sido inconveniente ao desejo.
Há tempos não acordava com alegria. Garotas fazem coisas… Se não for eterno – e essa raridade é conhecida – a iminente tristeza há de vir. Até lá, carpe diem, ah?
Peguei o resultado dos exames no laboratório hoje. Colesterol: 179 .
O índice desejável é qualquer valor abaixo de 200 – tô bem pracaralho, yey!!
Semana que vem quero ir no nutrólogo e no oculista.
…
E ainda essa semana começo outra experiência, vou fazer academia no Sesc. Por capricho optei por dias de contas enxutas, tá sendo interessante e não tem nada fazendo falta.
Fiz cartão na Biblioteca Pública semana passada com um objetivo em mente: Robison Crusoe. Decepção foi encontrar apenas uma versão mutilada da obra, editada pra petizada até 12 anos. Em termos culinários, devia ter o sabor de um pedaço de isopor.
Pensa vai, pensa vem, me lembrei desse clássico que já havia encarado aos 15 anos marromenos, então resolví fazer um revival de Moby Dick. Já de cara o encanto ao encontrar um livro com essa encadernação. Tava lá, vermelhão e desafiante na prateleira. Aberto pela primeira vez em sei-lá-quanto-tempo, soltou aquele aroma de uma viagem fantástica arquivada.
Desistí do resto da sexta-feira, comprei uma maçã no mercado público, sentei no banco da praça e esperei começar a ficar desconfortável para então largar o livro. Tava pela página 32 dele, completamente absorto e espantado como estava me identificando com o personagem e sendo cativado pela obra.
Herman Melville tem um senso de humor afinado demais. E uma poesia não-empolada embutida nas descrições.
Página 30, linha 35:
(…)quanto a mim, atormenta-me perene anseio por coisas distantes.
Eu já absorvido e totalmente identificado com a forma como Ismael descrevia sua paixão e atração pelo mar, levei um tapa por essa expressão. Tenho ela constante na vida, e pense comigo, “coisas distantes” não são terras além. É o trabalho mais desafiante, a garota impossível, o carro mais caro.
Estou ainda na página 47, e já tomo esse livro como uma obrigação certa nas recém adquiridas prateleiras. Rio em voz alta com o livro vez ou outra, vou reproduzir trecho aqui – ação que certamente vou repetir vez ou outra, seja cá ou no Twitter.
Ismael acabou de vencer o dilema na estalagem e resolveu encarar o quarto oferecido:
(…)pulei de minhas calças e botas, e, apagando a vela, caí na cama e encomendei-me à vigilância dos céus.
Se o colchão tinha recheio de sabugos ou de louça quebrada não o saberá nunca(…)
Prateleiras, um quadro do Meldau, as adesivagens, uma parede verde.
Por vir: bricabraques, outro quadro do Meldau, uma fotografia do Raphael Günther, uma planta, mesinha de centro, dois puffs, toca-disco, PC novo com dois monitores de responsa.
Noite de feriado com a mana sobrando aqui em casa, resolví estender a visita fazendo um strogonoff pra gente. Ligada pro brimo, a receita:
- Molho inglês
- Extrato de tomate
- Shoyu
- Ketchup
- Creme de leite (FRESCO, não aquela merda em lata)
- Alcatra cortadinha
- Champignon
- Azeite extra-virgem
- Arroz
- Batata palha
Não vou botar as quantidades aqui porque esse não é um blog de culinária, é só pra eu me lembrar depois, porra.
Preparo: corta a carne e leva pra fritar um pouquinho. Só dá uma seladinha nela na frigideira e reserva. Depois pega o champignon cortado em fatias e frita um pouco, pra ele perder aquela água nojenta. Dá meio que uma escorridinha e então joga o extrato de tomate em cima. Esquenta, então vai um pouco de ketchup e molho inglês. Esquenta, então joga o creme de leite. Bum, fica lindo. Estando marromenos, joga a alcatra que estava reservada. Experimenta o molho com um pedaço de carne. Tá salgado, joga um pouquinho de açúcar. Tá doce, joga shoyu até compensar. O molho ficou aguado? Pega um pouco de maizena e mistura num cadinho de água à parte. Bem misturado, joga no molho que com o calor vai engrossar.
No arroz usa um daqueles caldos de cebola e alho, fica ducacê.
…
Ficou bom pacaralho. Vinho recomendado pra acompanhar é um Tempranillo.
Quase disse pra ele na tarde de segunda: “Obrigado pelo meu senso de humor”. Veio dalí, isso é certo – o jeito de encarar certas merdas com indiferença também.
Me confessou com tristeza no olho a perda de lucidez da vó. Não consegue nem comentar da novela com ela, visto a memória volátil de D. Tereza. Deu a impressão de que mesmo com a companhia se sente solitário.
Achava as visitas em família um saco, descobrí que é porque os adultos não se permitiam outras conversas. Falavam de coisas da rotina, da merda da programação de merda da TV ou puxavam aquele grudento papo condescendente cheio de “a-hãs”. Um comportamento comodista pra preencher o tempo a permanecerem alí.
Descobrí que se você tirar os velhos do trilho de conversa preguiçosa eles te levam além. Há um certo feelling a ser procurado em cada papo iniciado, que com a pergunta certa transforma a visita numa imersão em perspectivas. Uma pessoa com 80 anos de idade tem horrores para contar, e a jogada é perguntar pra ela qualquer questão que também se faria a um adolescente.”Vô, me conta desse seu talento aqui” ou “Vô, como você e a vó se conheceram”, ou ainda, “Vô, conta aquela história de quando você deu um soco na cara do Padre Mathias.”
Tido como principal rival de Pablo Picasso, o artista defendia o decorativo como item fundamental para a obra de arte. Mesmo passando por 2 guerras mundiais, jamais deixou que elas influenciassem sua expressão. Revelando principalmente seu modo de produção, explorando a cor, a linha, o arabesco e o espaço, a exposição mostra sua relação afetiva com os objetos. Segundo a curadora Émilie Ovaere, Matisse gostava de estar rodeado de flores e mulheres. Sua obsessão pelo corpo feminino envolto de tecidos e adereços é uma marca de sua obra, justificada pela infância em uma pequena cidade têxtil.
Sacaninha… Ficou na garagem de novo, esperando. Tava virado num lixo, cheio de pó no pêlo. Ficou miando com jeito de quem levou um surra… Agora taí jogado no apartamento, esgotado.
Definitivamente, o gato é meu. Podia ter ido embora, mas voltou.
Sarah diz:
melhordetreis é blog pessoal ou profissional?
Ricardo Daniel diz:
blogfolio
Sarah diz:
profi
Ricardo Daniel diz:
pro
y
meio frio
Sarah diz:
you think?
Ricardo Daniel diz:
sim
sem texto ou expressão
só jpgs de trabalhos
Sarah diz:
ja eh algum tipo de expressao..nao?
Ricardo Daniel diz:
ah
não tome literalmente
falo poeticamente
se tomar literalmente, meu gato arranhando o sofá é expressão
mas não diz muito
Sarah diz:
hehe
Ricardo Daniel diz:
e como disse, alí é frio
não são desenhos que fiz por hobby, por exemplo
gosto do meu trabalho
mas teria muito mais prazer em expor coisas que não tiver que fazer para sobreviver
trabalhar é obrigação, por mais que você goste
optar por expor o que você fez por trabalho
é,
bem,
opção
Umas xícaras de chá, “Mais Estranho Que a Ficção” na TV (nota pessoal: assistir novamente daqui uns meses), uns trabalhos pendurados no PC e dois extras: as pantufas novas…
Nos arquivos do Por Acaso, esse post de agosto de 2005:
Eis-me aqui, escrevendo de volta ao blog, com um belo e gelado pé enfaixado. Coisa bacana que é hospital:
- Tira a roupa e bota isso aqui.
A mulher me jogou um daqueles trajes escrotos, onde o cara fica com a bunda de fora.
- Hã?! A cirurgia é no pé! Porquê tenho que ficar pelado?
- Botaí, o dr. já tá chegando.
Tava chovendo cachorro na terça, a maior friaca, e eu lá com a bunda de fora desfilando pras enfermeiras. Bacana. Em meio à cólera já via a notícia: “Jovem abre fogo e mata 15 em hospital de SC”.
…
Esse é só o começo da história, ela ainda vai muuuito longe. Me procurem pessoalmente para mais detalhes (vou mesmo assim pra ComBat hoje), ou ligue agora para 0800 996699 e ouça a historinha completa por apenas R$5,99 o minuto. A versão ao vivo inclui exclusiva sessão de extras com a saga do burlo à enfermeira e o roubo da cadeira de rodas.
Agradeço à todas mensagens, e.mails, scraps, visitas e telefonemas sádicos recebidos. Tudo que eu queria era sossego pra curtir a chapeira dos analgésicos numa boa, mas toda hora tinha uma dessas coisas me importunando. Valeu.
Abração pra todos, e agora falando sério, obrigado pela atenção que me deram. Ah! E graças a Deus, hoje é sexta-feira.
Claudemir diz:
seguinte, vai fazer o que a noite? vamo la em casa comer uma carne queimada? daniel correia,denis de souza e tiago picinini confirmados. só pra falar merda
Ricardo Daniel diz:
massavéio
vou sim
q horas?
Claudemir diz:
ahh
20hs
sabe onde fica o magic kingdom?
Ricardo Daniel diz:
Flórida?
Claudemir diz:
nao em frente a verdureira da raquel mesmo
Ricardo Daniel diz:
wahahahaha
Claudemir diz:
atraz do magic kingdom,ape 306
Ricardo Daniel diz:
certo
Ricardo Daniel diz:
tua casa tem vista pra Cidade do Futuro?
Claudemir diz:
vila lenzi? da pra ver alguma coisa
hehe
Ricardo Daniel diz:
não, o cemitério
Claudemir diz:
isso mesmo
são meus vizinhos
os melhores
Smoke is rising from the houses
People bury in their dead
I ask somebody what the time is
But time doesn’t matter to them yet
People talkin’ without speakin’
Trying to take what they can get
I ask you if you remember
Prospekt, how could I forget?
Drums
Here it comes
Don’t you wish that life could be as simple
As fish swimming round in a barrel?
When you’ve got the gun
Oh and I run
Here it comes
We’re just two little figures in a soup bowl
Trying to get behind a kind of control
But I wasn’t one
Now here I lie
On my own in a separate sky
And here I lie
On my own in a separate sky
I don’t wanna die
On my own here tonight
But here I lie
On my own in a separate sky
Mademoiselle Suelen diz:
Ele diz que tenho que fazer aquilo que me faz bem, e que eu não venha me arrepender mais tarde… no mais me apoia no q eu decidir … ( ficou em cima do muro)
r.3 diz:
seria fácil se desse pra olhar no futuro
Mademoiselle Suelen diz:
verdade!
r.3 diz:
mas olha, tem perguntas que a gente já sabe a resposta
não é mesmo?
Mademoiselle Suelen diz:
mas o coração diz q não devo fazer!
Essa vai para todo esse povo judiado que, assim como eu, trabalha com prestação de serviço. Tenho certeza que não é inédita para alguns, mas hoje deu vontade de transpirar um pouco de filosofia aqui… Do advogado ao cara que sabe desentupir um ralo direito, essa é pra lembrar toda vez que o valor do trabalho é questionado: diz o conto que um dia Pablo Picasso estava fazendo desenhos no parque, quando uma mulher corpulenta se aproximou dele. “É você – Picasso, o grande artista! Oh, você têm que desenhar meu retrato! Eu insisto!” Então Picasso concordou em fazer o desenho. Após estudar ela por um momento, deu uma única pincelada na tela, e criou o retrato. Feito isso, mostrou à mulher . “Está perfeito!” ela exclamou, “Você foi capaz de capturar minha essência com uma única pincelada, em um único momento. Obrigada! Quanto devo ao senhor?” “Cinco mil dólares,” respondeu o artista. “M-m-mas como?” gaguejou a mulher, “Como você pode me pedir tanto dinheiro por esta pintura? Ela lhe tomou apenas um segundo para desenhá-la!” Picasso então respondeu, “Madame, conseguir fazer essa pintura me custou a vida inteira até agora.”
…
A propósito, Ricardo Daniel Treis é publicitário, e muito admirou a tabela do veterinário que cobrava mais caro a “olhadinha” que a consulta
PRECISO dessa viagem. Tô voando baixo depois que lí o recado que o Gatorujo deixou:
Olha soh, ja comprei os ingressos (um pra vc tambem) para 19 Setembro, Coldplay no estadio de Wembley em London… Pode preparar a passagem e vir passar umas 3 semanas aqui…. Vamos dar m pulo em Amsterdam e Espanha tbm…. E dessa vez to falando serio seu viado…
Faz uma semana já da data, e procrastinação além do necessário, vai o relato do fato: pelas 16h, eu com uns três trabalhos atrasados batendo na cabeça então toca a poha do interfone. Pensei “Bosta, é o Cleiton. Veio chatear pessoalmente por causa das logomarcas”. Relutei, mas acabei atendendo. “Arroz!” “Sêo Ricardo, flores pro senhor.” “Vai se foder Cleiton, que cê quer?” “Sêo Ricardo, é da floricultura, são as flores.” “Flor? Fala sério, se quer contar mentira então pelo menos inventa nome de floricultura!” “É da Floricultura Tal!”. “Tá bom! E qual teu nome?”, “É Zé!”.
Porra, o Cleiton não é um dos mais imaginativos, e a essa altura ainda achava que era ele. “Sêo Ricardo, é sério. O senhor tem flores pra receber.” Fiquei com cara de pato. Pedí desculpa e descí. Tava lá o cara com um vaso de Amarillis (coisa assim, feia pra caralho) não mão, me olhando incrédulo. Peguei aquela porra e ele foi embora. Fique na porta com cara de bunda, então aproveitei pra pegar a correspondência. Botei o vaso no hall do prédio e fui pra fora. No que o cara da floricultura tá dando a ré no carro e falando no telefone, escuto o bicho falando em voz alta “babaca!”
Bom, toda situação à parte, a flor ainda veio com um cartão ANÔNIMO! Agora devo, pra não sei quem dessa cidade, um agradecimento e um bêjinho. Que legal. Que inferno.
…
A flor eu dei pra mãe no domingo, mesmo dia que o Fox da mana pegou fogo.
“Matar um homem é uma coisa infernal. Você tira tudo que ele tem. E tudo que poderia ter.”
Bill Munny – Clint Eastwood em “Os Imperdoáveis”. Tira um tempo pra ver esse filme mais uma vez daqui uns tempos.
…
M.W veio a convite pra assistir junto… Não pensei que um evento tão banal pudesse fazer diferença assim significativa pro dia dele. Gosto do cara pacas, o filme ter sido bom recompensou a locação em dobro.
You know, às vezes gosto de me entregar a uns exercícios de imaginação do improvável. Saramago fez um de primeira um tempo atrás, naquele livro (que virou filme) sobre um mundo onde, de repente, todo mundo fica cego (é de Ensaio Sobre a Cegueira que eu tô falando). Nesse universo aí, até preparar um miojo vira aventura para fulanos como nós. Mas pois bem, Saramagos fora, abrindo minha despensa ontem dei um suspiro de desânimo, pensando em voz alta “cara, se o mundo acabasse hoje cê tava ferrado”. Claro que “o mundo acabar” é aquela situação onde você sobrevive e tem que ficar trancado em casa esperando os zumbís lá fora morrerem sozinhos (o que na concepção de Hollywood não acontece tão rápido). Para fins de sobrevivência, teria aqui no meu armário dois pacotes de sopa instantânea, quatro (?) de suco de laranja, um pacote de bolacha, uma lata de atum e 2/3 do ovo de Páscoa que ganhei da dôna Sandra. A geladeira, outra lástima. Com o que tem nela, eu sobreviveria ao primeiro mês se comesse uma azeitona por dia. Eu sei, era pra ter vergonha já que tenho mais ração de gato do que comida estocada aqui em casa, mas que saber? Nem tanto. Porque sei que, no (meu) fim do mundo, enquanto vocês casais ainda estiverem em casa comendo o pão velho que tava guardado no freezer, haverá lá fora uma legião de solteiros que moravam sozinhos conquistando o mundo. E dando tiros em zumbís.
…
Encher a despensa que nada, Ricardo Daniel Treis vai é comprar um rilfe
Final do segundo mês de treino e mandaram meu personal pra fora da academia. Meio órfão agora, Pablo tá assumindo o ponto. Bônus, chamou pra combate com o Mannes. Três rounds de dois minutos.
Caceta, vicia esse negócio de acertar a cara dos outros…
Endorfinado ao extremo.
Preocupado, minhas mãos começaram a me trair essa semana – lá pela quarta-feira, se não me engano. Tá difícil escrever sem que ocorram pelo menos uns três erros de digitação por frase.
São dês, gês, agás e outras letras mais se enfiando irracionalmente onde não deveriam.
Neurologista soa necessário.
…
A letargia também voltou. Sono pelo começo da tarde e vontade alguma de sair da cama pela manhã (mas nessa acho que o problema é motivação mesmo).
Em contrapartida, condicionamento em ótima fase. Creio a melhor nesses trinta anos.
Feijoada de ex-alunos hoje no São Luís, complementando a nostalgia daqueles prédios e ginásio, a figura de Irmão Délcio (o temido!). Surpresa perceber (ou não) que o homem não envelheceu. Talvez uma barriga mais acentuada, mas o rosto permanecia com aquela expressão forte e jovem.
Se você pretende saber quem eu sou
Eu posso lhe dizer
Entre no meu carro na estrada de santos
E você vai me conhecer
Você vai pensar que eu não gosto nem mesmo de mim
E que na minha idade só a velocidade
Anda junto a mim
Só ando sozinho
E no meu caminho o tempo é cada vez menor
Preciso de ajuda
Por favor me acuda
Eu vivo muito só
Se acaso numa curva eu me lembro do meu mundo
Eu piso mais fundo
Corrijo num segundo
Não posso parar
Eu prefiro as curvas da estrada de santos
Onde eu tento esquecer
Um amor que eu tive
E vi pelo espelho na distância se perder
Mas se o amor que eu perdi eu novamente encontrar
As curvas se acabam
E na estrada de santos não vou mais passar
Não, não vou mais passar
Marco Antonio Murara diz: Cara, bom dia. To pensando numa logo pra empresa de consultoria de um amigo. Vou quebrar um galho pra ele. Pensei em associar a um animal. Águia já tá batido. Urso seria legal, se não fosse o pseudônimo de gays grandes fortes e peludos (tem até comunidade). Pensei em objeto: Balão por exemplo (voa alto… mas não tem direção). Tens alguma sugestão?
Não sei se viram, mas saiu ontem matériazinha na página 12 d’O CP falando dos cinco anos de aniversário de publicação da coluna, marco que completamos agora dia 20 deste mês. Esta então é a coluna de 5 anos e 2 dias da Por Acaso, que trouxe consigo aquele clássico caso de quando exige-se a criatividade numa redação: branco total. Como não faço a mínima do que escrever aqui hoje além de agradecer à minha mãe, à tia Marina e a todos os quinze leitores restantes pela audiência, vou botar abaixo o rascunho de pauta que passei pro Max como sugestão pro mês de celebração. Seguem abaixo os ítens publicáveis de “O que vamos fazer pra comemorar os cinco anos da coluna?”:
- Montar uma página especial comemorativa (abortado);
- Passar os 31 dias de maio completamente de porre (abortado);
- Promover a primeira corrida de lhamas de Jaraguá do Sul (abortado);
- Começar a trabalhar de verdade (abortado);
- Comprar um pônei (abortado);
- Fugir para as montanhas (abortado);
- Comprar dois pôneis (abortado);
- Caotizar a cidade divulgando aquelas 72 horas de filmagem feitas na Epitácio (abortado);
- Imolação em praça pública (abortado);
- Anunciar candidaturas para o congresso (abortado);
- Promover o primeiro Miss Camiseta Molhada de Jaraguá do Sul (em estudo).
A pauta original tinha 72 ítens, achei melhor incinerar ela.
Lembro que me ensinaram na aula de Windows 95 que o computador era composto por vários ítens de hardware, entre eles o WINCHESTER. Que atrocidade chamar o HD disso…
Sentí as coisas dando erradas. Vida pessoal afundada numa solidão que parece irreparável ou muito longe de ser compensada… A falta de alternativas me desmotiva, deixa a alma empobrecida, e há uma sensação angustiante de impotência contra a situação.
Tia Mara me deu um livro de presente na sexta passada, em seu aniversário. Ela é uma pessoa fantástica, como digo, de grande energia. Me deu um livro de auto-ajuda, chamado “Os Segredos da Mente Milionária”. Inegável minha vergonha quando recebí e constatei que ela me leu o suficiente pra saber de um dos problemas em que sempre tropeço e que nunca agí propriamente para corrigir.
Comecei a leitura somente na noite de ontem, cinco páginas apenas. De lá, absorví e pensava no trecho pela manhã. “Não temos como modificar os frutos que já estão maduros pendendo nos galhos, mas podemos alterar as raízes para mudar o que está por vir”.
Esta noite, ainda perdido e sem foco no pensamento, porém com o fardo de toda situação atual nas costas, fui ver se o horóscopo daria uma luz mostrando talvez um fim para este período escuro. Estava lá:
A fase é ótima para romper com tradições e padrões de funcionamentos que já não funcionam mais.
Coincidência ou não, eu teria que ser um completo idiota pra ignorar isso. E agora que sei a resposta, está na hora de começar a mudar.
Em conversa ontem lembrei do tempo que a vó passava enceradeira lá no assoalho da venda, e a gente brincava de escorregar naqueles tapetes compridos que faziam o corredor inteiro… Um arrastava o outro, e ficávamos deslizando. Lembrança que dá suspiro fundo essa…
E lembrei também que meu tio usava suspensórios… Tio Beto, dá uma saudade pensar nele, com aquela inocência toda que tinha.
Este site existe para um registro da rotina de um cara: eu. Coisas que quero lembrar ou coisas que quero que alguém um dia, por qualquer seja o motivo, veja.
Qualquer um que vier ao acaso é bem-vindo, só saiba que esse conteúdo é despretencioso de grandes audiências, e que não escrevo para ninguém mais senão mim mesmo.
Um abraço, estranho.