- Quando sonha, o que faz você pensar que não é real?
- É uma porra de sonho. Não podemos tocar nele, né?
- Você já segurou na mão do homem que lê o noticiário na televisão?
…
Da HQ Invisíveis, edição número 4, se não me engano.
- Hoje levei o Gustavo pra fazer inscrição no curso de guitarra. Fiquei surpreso com o rapazinho dizendo ser esse um desejo dele, estudar música. Quarta-feira é a aula experimental. Se gostar, vai entrar num esquema que sabe, por regra minha, não vai poder parar antes de completar seis meses de estudo.
- Carlos vai ser companhia no Sesc meio dia, vou levar pra correr comigo. Ele quer, só falta estender a mão.
A chuva me dá esse conforto particular e têm seu romantismo, porém uma tarde ensolarada e seu consequente pôr-do-sol rosado têm um valor muito superior. Saudade da cerveja na sacada regada a um vento quente, porém o tempo têm sido inconveniente ao desejo.
Há tempos não acordava com alegria. Garotas fazem coisas… Se não for eterno – e essa raridade é conhecida – a iminente tristeza há de vir. Até lá, carpe diem, ah?
Peguei o resultado dos exames no laboratório hoje. Colesterol: 179 .
O índice desejável é qualquer valor abaixo de 200 – tô bem pracaralho, yey!!
Semana que vem quero ir no nutrólogo e no oculista.
…
E ainda essa semana começo outra experiência, vou fazer academia no Sesc. Por capricho optei por dias de contas enxutas, tá sendo interessante e não tem nada fazendo falta.
Fiz cartão na Biblioteca Pública semana passada com um objetivo em mente: Robison Crusoe. Decepção foi encontrar apenas uma versão mutilada da obra, editada pra petizada até 12 anos. Em termos culinários, devia ter o sabor de um pedaço de isopor.
Pensa vai, pensa vem, me lembrei desse clássico que já havia encarado aos 15 anos marromenos, então resolví fazer um revival de Moby Dick. Já de cara o encanto ao encontrar um livro com essa encadernação. Tava lá, vermelhão e desafiante na prateleira. Aberto pela primeira vez em sei-lá-quanto-tempo, soltou aquele aroma de uma viagem fantástica arquivada.
Desistí do resto da sexta-feira, comprei uma maçã no mercado público, sentei no banco da praça e esperei começar a ficar desconfortável para então largar o livro. Tava pela página 32 dele, completamente absorto e espantado como estava me identificando com o personagem e sendo cativado pela obra.
Herman Melville tem um senso de humor afinado demais. E uma poesia não-empolada embutida nas descrições.
Página 30, linha 35:
(…)quanto a mim, atormenta-me perene anseio por coisas distantes.
Eu já absorvido e totalmente identificado com a forma como Ismael descrevia sua paixão e atração pelo mar, levei um tapa por essa expressão. Tenho ela constante na vida, e pense comigo, “coisas distantes” não são terras além. É o trabalho mais desafiante, a garota impossível, o carro mais caro.
Estou ainda na página 47, e já tomo esse livro como uma obrigação certa nas recém adquiridas prateleiras. Rio em voz alta com o livro vez ou outra, vou reproduzir trecho aqui – ação que certamente vou repetir vez ou outra, seja cá ou no Twitter.
Ismael acabou de vencer o dilema na estalagem e resolveu encarar o quarto oferecido:
(…)pulei de minhas calças e botas, e, apagando a vela, caí na cama e encomendei-me à vigilância dos céus.
Se o colchão tinha recheio de sabugos ou de louça quebrada não o saberá nunca(…)
Prateleiras, um quadro do Meldau, as adesivagens, uma parede verde.
Por vir: bricabraques, outro quadro do Meldau, uma fotografia do Raphael Günther, uma planta, mesinha de centro, dois puffs, toca-disco, PC novo com dois monitores de responsa.
Noite de feriado com a mana sobrando aqui em casa, resolví estender a visita fazendo um strogonoff pra gente. Ligada pro brimo, a receita:
- Molho inglês
- Extrato de tomate
- Shoyu
- Ketchup
- Creme de leite (FRESCO, não aquela merda em lata)
- Alcatra cortadinha
- Champignon
- Azeite extra-virgem
- Arroz
- Batata palha
Não vou botar as quantidades aqui porque esse não é um blog de culinária, é só pra eu me lembrar depois, porra.
Preparo: corta a carne e leva pra fritar um pouquinho. Só dá uma seladinha nela na frigideira e reserva. Depois pega o champignon cortado em fatias e frita um pouco, pra ele perder aquela água nojenta. Dá meio que uma escorridinha e então joga o extrato de tomate em cima. Esquenta, então vai um pouco de ketchup e molho inglês. Esquenta, então joga o creme de leite. Bum, fica lindo. Estando marromenos, joga a alcatra que estava reservada. Experimenta o molho com um pedaço de carne. Tá salgado, joga um pouquinho de açúcar. Tá doce, joga shoyu até compensar. O molho ficou aguado? Pega um pouco de maizena e mistura num cadinho de água à parte. Bem misturado, joga no molho que com o calor vai engrossar.
No arroz usa um daqueles caldos de cebola e alho, fica ducacê.
…
Ficou bom pacaralho. Vinho recomendado pra acompanhar é um Tempranillo.
Quase disse pra ele na tarde de segunda: “Obrigado pelo meu senso de humor”. Veio dalí, isso é certo – o jeito de encarar certas merdas com indiferença também.
Me confessou com tristeza no olho a perda de lucidez da vó. Não consegue nem comentar da novela com ela, visto a memória volátil de D. Tereza. Deu a impressão de que mesmo com a companhia se sente solitário.
Achava as visitas em família um saco, descobrí que é porque os adultos não se permitiam outras conversas. Falavam de coisas da rotina, da merda da programação de merda da TV ou puxavam aquele grudento papo condescendente cheio de “a-hãs”. Um comportamento comodista pra preencher o tempo a permanecerem alí.
Descobrí que se você tirar os velhos do trilho de conversa preguiçosa eles te levam além. Há um certo feelling a ser procurado em cada papo iniciado, que com a pergunta certa transforma a visita numa imersão em perspectivas. Uma pessoa com 80 anos de idade tem horrores para contar, e a jogada é perguntar pra ela qualquer questão que também se faria a um adolescente.”Vô, me conta desse seu talento aqui” ou “Vô, como você e a vó se conheceram”, ou ainda, “Vô, conta aquela história de quando você deu um soco na cara do Padre Mathias.”
Tido como principal rival de Pablo Picasso, o artista defendia o decorativo como item fundamental para a obra de arte. Mesmo passando por 2 guerras mundiais, jamais deixou que elas influenciassem sua expressão. Revelando principalmente seu modo de produção, explorando a cor, a linha, o arabesco e o espaço, a exposição mostra sua relação afetiva com os objetos. Segundo a curadora Émilie Ovaere, Matisse gostava de estar rodeado de flores e mulheres. Sua obsessão pelo corpo feminino envolto de tecidos e adereços é uma marca de sua obra, justificada pela infância em uma pequena cidade têxtil.
Sacaninha… Ficou na garagem de novo, esperando. Tava virado num lixo, cheio de pó no pêlo. Ficou miando com jeito de quem levou um surra… Agora taí jogado no apartamento, esgotado.
Definitivamente, o gato é meu. Podia ter ido embora, mas voltou.
Sarah diz:
melhordetreis é blog pessoal ou profissional?
Ricardo Daniel diz:
blogfolio
Sarah diz:
profi
Ricardo Daniel diz:
pro
y
meio frio
Sarah diz:
you think?
Ricardo Daniel diz:
sim
sem texto ou expressão
só jpgs de trabalhos
Sarah diz:
ja eh algum tipo de expressao..nao?
Ricardo Daniel diz:
ah
não tome literalmente
falo poeticamente
se tomar literalmente, meu gato arranhando o sofá é expressão
mas não diz muito
Sarah diz:
hehe
Ricardo Daniel diz:
e como disse, alí é frio
não são desenhos que fiz por hobby, por exemplo
gosto do meu trabalho
mas teria muito mais prazer em expor coisas que não tiver que fazer para sobreviver
trabalhar é obrigação, por mais que você goste
optar por expor o que você fez por trabalho
é,
bem,
opção
Umas xícaras de chá, “Mais Estranho Que a Ficção” na TV (nota pessoal: assistir novamente daqui uns meses), uns trabalhos pendurados no PC e dois extras: as pantufas novas…
Nos arquivos do Por Acaso, esse post de agosto de 2005:
Eis-me aqui, escrevendo de volta ao blog, com um belo e gelado pé enfaixado. Coisa bacana que é hospital:
- Tira a roupa e bota isso aqui.
A mulher me jogou um daqueles trajes escrotos, onde o cara fica com a bunda de fora.
- Hã?! A cirurgia é no pé! Porquê tenho que ficar pelado?
- Botaí, o dr. já tá chegando.
Tava chovendo cachorro na terça, a maior friaca, e eu lá com a bunda de fora desfilando pras enfermeiras. Bacana. Em meio à cólera já via a notícia: “Jovem abre fogo e mata 15 em hospital de SC”.
…
Esse é só o começo da história, ela ainda vai muuuito longe. Me procurem pessoalmente para mais detalhes (vou mesmo assim pra ComBat hoje), ou ligue agora para 0800 996699 e ouça a historinha completa por apenas R$5,99 o minuto. A versão ao vivo inclui exclusiva sessão de extras com a saga do burlo à enfermeira e o roubo da cadeira de rodas.
Agradeço à todas mensagens, e.mails, scraps, visitas e telefonemas sádicos recebidos. Tudo que eu queria era sossego pra curtir a chapeira dos analgésicos numa boa, mas toda hora tinha uma dessas coisas me importunando. Valeu.
Abração pra todos, e agora falando sério, obrigado pela atenção que me deram. Ah! E graças a Deus, hoje é sexta-feira.
Claudemir diz:
seguinte, vai fazer o que a noite? vamo la em casa comer uma carne queimada? daniel correia,denis de souza e tiago picinini confirmados. só pra falar merda
Ricardo Daniel diz:
massavéio
vou sim
q horas?
Claudemir diz:
ahh
20hs
sabe onde fica o magic kingdom?
Ricardo Daniel diz:
Flórida?
Claudemir diz:
nao em frente a verdureira da raquel mesmo
Ricardo Daniel diz:
wahahahaha
Claudemir diz:
atraz do magic kingdom,ape 306
Ricardo Daniel diz:
certo
Ricardo Daniel diz:
tua casa tem vista pra Cidade do Futuro?
Claudemir diz:
vila lenzi? da pra ver alguma coisa
hehe
Ricardo Daniel diz:
não, o cemitério
Claudemir diz:
isso mesmo
são meus vizinhos
os melhores
Smoke is rising from the houses
People bury in their dead
I ask somebody what the time is
But time doesn’t matter to them yet
People talkin’ without speakin’
Trying to take what they can get
I ask you if you remember
Prospekt, how could I forget?
Drums
Here it comes
Don’t you wish that life could be as simple
As fish swimming round in a barrel?
When you’ve got the gun
Oh and I run
Here it comes
We’re just two little figures in a soup bowl
Trying to get behind a kind of control
But I wasn’t one
Now here I lie
On my own in a separate sky
And here I lie
On my own in a separate sky
I don’t wanna die
On my own here tonight
But here I lie
On my own in a separate sky
Mademoiselle Suelen diz:
Ele diz que tenho que fazer aquilo que me faz bem, e que eu não venha me arrepender mais tarde… no mais me apoia no q eu decidir … ( ficou em cima do muro)
r.3 diz:
seria fácil se desse pra olhar no futuro
Mademoiselle Suelen diz:
verdade!
r.3 diz:
mas olha, tem perguntas que a gente já sabe a resposta
não é mesmo?
Mademoiselle Suelen diz:
mas o coração diz q não devo fazer!
Essa vai para todo esse povo judiado que, assim como eu, trabalha com prestação de serviço. Tenho certeza que não é inédita para alguns, mas hoje deu vontade de transpirar um pouco de filosofia aqui… Do advogado ao cara que sabe desentupir um ralo direito, essa é pra lembrar toda vez que o valor do trabalho é questionado: diz o conto que um dia Pablo Picasso estava fazendo desenhos no parque, quando uma mulher corpulenta se aproximou dele. “É você – Picasso, o grande artista! Oh, você têm que desenhar meu retrato! Eu insisto!” Então Picasso concordou em fazer o desenho. Após estudar ela por um momento, deu uma única pincelada na tela, e criou o retrato. Feito isso, mostrou à mulher . “Está perfeito!” ela exclamou, “Você foi capaz de capturar minha essência com uma única pincelada, em um único momento. Obrigada! Quanto devo ao senhor?” “Cinco mil dólares,” respondeu o artista. “M-m-mas como?” gaguejou a mulher, “Como você pode me pedir tanto dinheiro por esta pintura? Ela lhe tomou apenas um segundo para desenhá-la!” Picasso então respondeu, “Madame, conseguir fazer essa pintura me custou a vida inteira até agora.”
…
A propósito, Ricardo Daniel Treis é publicitário, e muito admirou a tabela do veterinário que cobrava mais caro a “olhadinha” que a consulta
PRECISO dessa viagem. Tô voando baixo depois que lí o recado que o Gatorujo deixou:
Olha soh, ja comprei os ingressos (um pra vc tambem) para 19 Setembro, Coldplay no estadio de Wembley em London… Pode preparar a passagem e vir passar umas 3 semanas aqui…. Vamos dar m pulo em Amsterdam e Espanha tbm…. E dessa vez to falando serio seu viado…
Faz uma semana já da data, e procrastinação além do necessário, vai o relato do fato: pelas 16h, eu com uns três trabalhos atrasados batendo na cabeça então toca a poha do interfone. Pensei “Bosta, é o Cleiton. Veio chatear pessoalmente por causa das logomarcas”. Relutei, mas acabei atendendo. “Arroz!” “Sêo Ricardo, flores pro senhor.” “Vai se foder Cleiton, que cê quer?” “Sêo Ricardo, é da floricultura, são as flores.” “Flor? Fala sério, se quer contar mentira então pelo menos inventa nome de floricultura!” “É da Floricultura Tal!”. “Tá bom! E qual teu nome?”, “É Zé!”.
Porra, o Cleiton não é um dos mais imaginativos, e a essa altura ainda achava que era ele. “Sêo Ricardo, é sério. O senhor tem flores pra receber.” Fiquei com cara de pato. Pedí desculpa e descí. Tava lá o cara com um vaso de Amarillis (coisa assim, feia pra caralho) não mão, me olhando incrédulo. Peguei aquela porra e ele foi embora. Fique na porta com cara de bunda, então aproveitei pra pegar a correspondência. Botei o vaso no hall do prédio e fui pra fora. No que o cara da floricultura tá dando a ré no carro e falando no telefone, escuto o bicho falando em voz alta “babaca!”
Bom, toda situação à parte, a flor ainda veio com um cartão ANÔNIMO! Agora devo, pra não sei quem dessa cidade, um agradecimento e um bêjinho. Que legal. Que inferno.
…
A flor eu dei pra mãe no domingo, mesmo dia que o Fox da mana pegou fogo.
“Matar um homem é uma coisa infernal. Você tira tudo que ele tem. E tudo que poderia ter.”
Bill Munny – Clint Eastwood em “Os Imperdoáveis”. Tira um tempo pra ver esse filme mais uma vez daqui uns tempos.
…
M.W veio a convite pra assistir junto… Não pensei que um evento tão banal pudesse fazer diferença assim significativa pro dia dele. Gosto do cara pacas, o filme ter sido bom recompensou a locação em dobro.
You know, às vezes gosto de me entregar a uns exercícios de imaginação do improvável. Saramago fez um de primeira um tempo atrás, naquele livro (que virou filme) sobre um mundo onde, de repente, todo mundo fica cego (é de Ensaio Sobre a Cegueira que eu tô falando). Nesse universo aí, até preparar um miojo vira aventura para fulanos como nós. Mas pois bem, Saramagos fora, abrindo minha despensa ontem dei um suspiro de desânimo, pensando em voz alta “cara, se o mundo acabasse hoje cê tava ferrado”. Claro que “o mundo acabar” é aquela situação onde você sobrevive e tem que ficar trancado em casa esperando os zumbís lá fora morrerem sozinhos (o que na concepção de Hollywood não acontece tão rápido). Para fins de sobrevivência, teria aqui no meu armário dois pacotes de sopa instantânea, quatro (?) de suco de laranja, um pacote de bolacha, uma lata de atum e 2/3 do ovo de Páscoa que ganhei da dôna Sandra. A geladeira, outra lástima. Com o que tem nela, eu sobreviveria ao primeiro mês se comesse uma azeitona por dia. Eu sei, era pra ter vergonha já que tenho mais ração de gato do que comida estocada aqui em casa, mas que saber? Nem tanto. Porque sei que, no (meu) fim do mundo, enquanto vocês casais ainda estiverem em casa comendo o pão velho que tava guardado no freezer, haverá lá fora uma legião de solteiros que moravam sozinhos conquistando o mundo. E dando tiros em zumbís.
…
Encher a despensa que nada, Ricardo Daniel Treis vai é comprar um rilfe
Final do segundo mês de treino e mandaram meu personal pra fora da academia. Meio órfão agora, Pablo tá assumindo o ponto. Bônus, chamou pra combate com o Mannes. Três rounds de dois minutos.
Caceta, vicia esse negócio de acertar a cara dos outros…
Endorfinado ao extremo.
Preocupado, minhas mãos começaram a me trair essa semana – lá pela quarta-feira, se não me engano. Tá difícil escrever sem que ocorram pelo menos uns três erros de digitação por frase.
São dês, gês, agás e outras letras mais se enfiando irracionalmente onde não deveriam.
Neurologista soa necessário.
…
A letargia também voltou. Sono pelo começo da tarde e vontade alguma de sair da cama pela manhã (mas nessa acho que o problema é motivação mesmo).
Em contrapartida, condicionamento em ótima fase. Creio a melhor nesses trinta anos.
Feijoada de ex-alunos hoje no São Luís, complementando a nostalgia daqueles prédios e ginásio, a figura de Irmão Délcio (o temido!). Surpresa perceber (ou não) que o homem não envelheceu. Talvez uma barriga mais acentuada, mas o rosto permanecia com aquela expressão forte e jovem.
Se você pretende saber quem eu sou
Eu posso lhe dizer
Entre no meu carro na estrada de santos
E você vai me conhecer
Você vai pensar que eu não gosto nem mesmo de mim
E que na minha idade só a velocidade
Anda junto a mim
Só ando sozinho
E no meu caminho o tempo é cada vez menor
Preciso de ajuda
Por favor me acuda
Eu vivo muito só
Se acaso numa curva eu me lembro do meu mundo
Eu piso mais fundo
Corrijo num segundo
Não posso parar
Eu prefiro as curvas da estrada de santos
Onde eu tento esquecer
Um amor que eu tive
E vi pelo espelho na distância se perder
Mas se o amor que eu perdi eu novamente encontrar
As curvas se acabam
E na estrada de santos não vou mais passar
Não, não vou mais passar
Marco Antonio Murara diz: Cara, bom dia. To pensando numa logo pra empresa de consultoria de um amigo. Vou quebrar um galho pra ele. Pensei em associar a um animal. Águia já tá batido. Urso seria legal, se não fosse o pseudônimo de gays grandes fortes e peludos (tem até comunidade). Pensei em objeto: Balão por exemplo (voa alto… mas não tem direção). Tens alguma sugestão?
Não sei se viram, mas saiu ontem matériazinha na página 12 d’O CP falando dos cinco anos de aniversário de publicação da coluna, marco que completamos agora dia 20 deste mês. Esta então é a coluna de 5 anos e 2 dias da Por Acaso, que trouxe consigo aquele clássico caso de quando exige-se a criatividade numa redação: branco total. Como não faço a mínima do que escrever aqui hoje além de agradecer à minha mãe, à tia Marina e a todos os quinze leitores restantes pela audiência, vou botar abaixo o rascunho de pauta que passei pro Max como sugestão pro mês de celebração. Seguem abaixo os ítens publicáveis de “O que vamos fazer pra comemorar os cinco anos da coluna?”:
- Montar uma página especial comemorativa (abortado);
- Passar os 31 dias de maio completamente de porre (abortado);
- Promover a primeira corrida de lhamas de Jaraguá do Sul (abortado);
- Começar a trabalhar de verdade (abortado);
- Comprar um pônei (abortado);
- Fugir para as montanhas (abortado);
- Comprar dois pôneis (abortado);
- Caotizar a cidade divulgando aquelas 72 horas de filmagem feitas na Epitácio (abortado);
- Imolação em praça pública (abortado);
- Anunciar candidaturas para o congresso (abortado);
- Promover o primeiro Miss Camiseta Molhada de Jaraguá do Sul (em estudo).
A pauta original tinha 72 ítens, achei melhor incinerar ela.
Lembro que me ensinaram na aula de Windows 95 que o computador era composto por vários ítens de hardware, entre eles o WINCHESTER. Que atrocidade chamar o HD disso…
Sentí as coisas dando erradas. Vida pessoal afundada numa solidão que parece irreparável ou muito longe de ser compensada… A falta de alternativas me desmotiva, deixa a alma empobrecida, e há uma sensação angustiante de impotência contra a situação.
Tia Mara me deu um livro de presente na sexta passada, em seu aniversário. Ela é uma pessoa fantástica, como digo, de grande energia. Me deu um livro de auto-ajuda, chamado “Os Segredos da Mente Milionária”. Inegável minha vergonha quando recebí e constatei que ela me leu o suficiente pra saber de um dos problemas em que sempre tropeço e que nunca agí propriamente para corrigir.
Comecei a leitura somente na noite de ontem, cinco páginas apenas. De lá, absorví e pensava no trecho pela manhã. “Não temos como modificar os frutos que já estão maduros pendendo nos galhos, mas podemos alterar as raízes para mudar o que está por vir”.
Esta noite, ainda perdido e sem foco no pensamento, porém com o fardo de toda situação atual nas costas, fui ver se o horóscopo daria uma luz mostrando talvez um fim para este período escuro. Estava lá:
A fase é ótima para romper com tradições e padrões de funcionamentos que já não funcionam mais.
Coincidência ou não, eu teria que ser um completo idiota pra ignorar isso. E agora que sei a resposta, está na hora de começar a mudar.
Em conversa ontem lembrei do tempo que a vó passava enceradeira lá no assoalho da venda, e a gente brincava de escorregar naqueles tapetes compridos que faziam o corredor inteiro… Um arrastava o outro, e ficávamos deslizando. Lembrança que dá suspiro fundo essa…
E lembrei também que meu tio usava suspensórios… Tio Beto, dá uma saudade pensar nele, com aquela inocência toda que tinha.
Hoje paguei minha primeira multa de trânsito. Radarzinho de Schroeder, quanto tava levando a Raquel pra casa pós-balada – às 4h43 da madruga. R$ 102,00 por passar a 56km/h num radar de 40km/h. Foi nessa um toco de 5 pontos na carteira.
Duas das viagens (acho que foram as únicas) de 2008. Enfim vou jogar isso aqui:
De quando fui pra Sampa com o brimo, legal bragarai. O Bairro da Liberdade, a feira do mercado imobiliário (o Felfa tava lá), o cartão do hotel, o Museu da Língua Portuguesa e o Masp, que tinha aquela feira de antiguidades embaixo onde comprei meu Ray-Ban 1970´s pela merreca de R$ 100,00. Um puta barato…
…
E aqui Curitiba:
Quando eu e o Gordin passamos um final-de-semana pra lá, só pra sair dessa joça que é Jaraguá. Na imagem, a pulseira do arrancadão e o cupom fiscal do pub Sheridan´s, onde tomamo bagarai e até acabamos brigando. Ridic.
…
Mais fotos tiradas pelo celular, arquivadas no PC.
“Que tal participarmos do triathlon da Impulso?” Essa foi a pergunta levantada em tom de brincadeira por Max Pires à seu colega de trabalho, o publicitário Ricardo Daniel Treis. Max e Ricardo escrevem a coluna quinta-feirina “Por Acaso”, no Jornal Correio do Povo. A resposta veio certeira: “Tá maluco?”. A loucura pegou, e com a intenção de criar uma matéria cômica para o sabor dos leitores jaraguaenses, a dupla convidou o também publicitário e editor da revista The Fato, Marcelo Wagner, que topou a idéia sem hesitar.
O teor da reportagem seria colher os resultados da participação de três sedentários à um evento esportivo como um triathlon. Mas o que aconteceu foi que ao fim das contas Marcelo e Max empolgaram-se com a idéia, e preparavam-se de forma tal que a impressão é de que participariam de um IronMan. Chegava a data do evento e os dois apresentavam um bom condicionamento, enquanto Ricardo só de pensar no assunto já ficava cansado. Chegado o dia do evento, o nervosismo era visível nos três, que começaram a analisar os demais participantes do evento, que beiravam o nível “pró”. A auto-análise da equipe, graduou-os a nível “havaiana-de-tira-arrebentada”.
Começa o evento com prova de natação, onde Marcelo, o escolhido para tal por seu “shape” e experiência, obtém o excelente resultado de 3º lugar nos 600 metros. Professores surpresos à parte, Max Pires assume seu papel altamente motivado, e sai para percorrer os 10km de bicicleta com o pensamento fixo na vitória. “Admito que pensei em desistir, mas era mico”, contou Max, exausto após chegar em 7º lugar na sua bateria.
Então chegou o momento da verdade para Ricardo, que ao receber bandeira verde para iniciar os 3.400m de corrida ainda pensou duas vezes. “Não force! Se não for conseguir, pode parar”, aconselhavam os professores da academia, preocupados com um possível enfarte por parte do participante. “Se queres perder o medo de algo, vai lá e faça-o!”. Com pensamento fixo nessa frase, Ricardo largou. Andando, mas largou. Correu um pouquinho, andou mais um montinho e assim foi… dos 3.400m do percurso, aproximadamente uns 200m devem ter sido corridos. “Doía a perna. Até conseguia correr, mas a dor impossibilitava”. Já não estivesse ruim a situação, o corredor ainda foi atacado quando completava sua primeira volta. Um seguidor amalucado do padre irlandês Cornelius Horan (aquele que agarrou na maratona das Olimpíadas de Atenas o brasileiro Vanderlei de Lima), agarrou o competidor, e terminou por comprometer totalmente o resultado final. “Precisava passar minha mensagem”, disse o lunático, que à frente carregava um cartaz escrito “O fim está próximo”, e às costas “Vendo Corcel 78″.
Ao perceber a distância considerável que o penúltimo candidato abria, Ricardo reuniu todas suas forças e numa impressionante explosão de energia correu. Correu até o ponto de táxi mais próximo, embarcou e disse “Meu bom homem, toca pra Impulso!”. “Mas você não está correndo?”, disse o taxista surpreso, “Estou! Mas agora a corrida é sua. E passa buzinando por aquele cara correndo alí”. E com Ricardo cruzando a linha de chegada de táxi foi que a prova teve seu desfecho. Para o trio, o que restou foi, além do último lugar geral e desclassificação, um monte de história para contar. Ano que vem darão um “repeteco”. Ricardo promete esforçar-se mais. Quem sabe ele já faça a largada de táxi e nos poupe de tanto suspense.
…
Texto meu e participação minha pra edição #09 da Revista The Fato, em 2004. O evento foi dia 17 de outubro.
Tenho esse fraco pelo pôr-do-sol. Me faz querer largar tudo pra sentar num gramado ou um lugar calmo, pra ficar olhando… Sempre tem aquele vento que acompanha suave.
E esses de inverno são os melhores, com o céu inspirado em cor-de-rosa.
Quando falaram que “até Fulano vai pro evento” fiquei meio assim. Era argumento pra convencer ida à balada tal, que de tão boa, ia tirar um certo casal de amigos de casa. Eu não fui, e no bate-papo dias depois aproveitei pra confirmar com a pessoa em questão a dubitável ida.
- Eae, foram mesmo pro show?
- Não fui cara. Ela começou a passar mal e acabamos desistindo… Pffff! Tô com os ingressos aqui ainda.
- Arre, deixaram de ir em outra. Sabe o que é isso? Doença!
- Hm.
- Alergia à Balada. Todo casal desenvolve depois de tempo de namoro.
- Hah, falando em doença, tô contraindo outra. Tô é ficando com Alergia à Namorada.
- Wahahaha!
A Alergia à Baladas é um problema comum à maioria dos pares, cujo tratamento é desconhecido pela ciência. Se mesmo após detectada o casal resolva ir à festas, acaba resultando em comportamento agressivo dos indivíduos (leia-se briguinha e/ou discussão por nada). Entre os efeitos colaterais da doença, além da Alergia à Namorada(o) estão o tédio no relacionamento, o lugar-comum das noites de sábado defronte a TV e a estafante superexposição à mesma companhia (leia-se desgaste).
Talvez baladas não sejam realmente o ambiente ideal para casais de namorados entreterem-se, mas o Instituto Ricardo Daniel Treis de Behaviorismo Obtuso altamente recomenda que casais convivam (e permitam-se conviver) regularmente com outras formas de vida da mesma espécie e faixa etária, considerando esta a forma mais saudável de conseguir-se um relacionamento duradouro – aquela coisa linda e rara que nossos pais praticam.
…
Publicado originalmente na Coluna Por Acaso, página 12, jornal O Correio do Povo de 22 de novembro de 2007.
Emendo já com a colocação que o Depiné me passou via mensagem:
Alergia à Namorada foi ótimo, hein? O lado bom é que durante o tratamento dessa doença pode-se ingerir álcool!
Max brigou ontem no Estação. Louco, quebrou um copo na cabeça do cara que está saindo com a ex- namorada dele. Bad for business, saiu algemado do lugar, deixando marca de seis pontos na cabeça do infeliz. Fiquei puto, pareceu irresponsável. Aconteceu tudo às 23h40, eram 2h eu estava de volta em casa da delegacia. Pelas 4h da manhã pensei diferente, foi humano.
Dos adjetivos, diria covarde como ele fez, mas irracionalidade não tem instrumento. O ódio realmente cega. Que droga… Me botei no lugar dele, não sei se estaria imune, apesar dele ter ido atrás da situação. Graças tenho essa frieza que me poupa prolongar certas tristezas e dores.
About women is a hard kind of thing to think. James Spader, em seu Alan Shore, falou bem num dos episódios, texto que rascunho umas linhas abaixo já projetando algo meu.
“Todo dia acordo pensando se vou encontrar ela. Então penso como ela seria… Seus cabelos, a curva de seu pescoço, o perfume em sua roupa, o toque de suas mãos, o formato de seus lábios, a delícia de sua voz. E toda noite vou dormir pensando se no dia seguinte encontrarei ela. É um dos grandiosíssimos sabores toda essa expectativa, e infelizmente não há mulher no mundo que vá corresponder a ela. Acho que serei um eterno solteiro.”
Este site existe para um registro da rotina de um cara: eu. Coisas que quero lembrar ou coisas que quero que alguém um dia, por qualquer seja o motivo, veja.
Qualquer um que vier ao acaso é bem-vindo, só saiba que esse conteúdo é despretencioso de grandes audiências, e que não escrevo para ninguém mais senão mim mesmo.
Um abraço, estranho.